Dumont (SP) – O rastro de destruição deixado pelas tempestades da última sexta-feira, dia 24, no noroeste do estado de São Paulo, mobiliza uma força-tarefa para restabelecer os serviços essenciais. A Defesa Civil estadual enviou uma quarta remessa de ajuda humanitária para socorrer os moradores mais afetados. Cerca de 11,5 mil itens, incluindo cestas básicas, colchões, cobertores e água potável, foram destinados para o município de Dumont, um dos pontos mais críticos do desastre rural e urbano.
A operação logística emergencial para reerguer as moradias também envolve a entrega de 6 mil telhas. Para mitigar o desabastecimento provocado pelos danos na rede elétrica, 11 caminhões-pipa circulam pelas vias públicas para fornecer água potável à população afetada nas áreas urbanas e periféricas.
O foco das ações emergenciais está concentrado em cinco municípios: Dumont, Guariba, Pradópolis, Ribeirão Preto e Taquaritinga. Com exceção de Ribeirão Preto, as outras quatro cidades já decretaram formalmente situação de emergência após sofrerem com quedas massivas de árvores, destelhamentos sistemáticos e colapso na rede de energia. O cenário de devastação atraiu lideranças políticas no fim de semana. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, vistoriou a região no sábado, dia 25, seguido pelo governador Tarcísio de Freitas, que esteve no local no domingo, dia 26. Ambas as visitas reforçaram a necessidade de repasses financeiros imediatos para os caixas municipais.
Devastação no cinturão verde
Fora dos perímetros urbanos, o prejuízo agrícola desenha um panorama preocupante. Técnicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado identificaram que a zona rural de Taquaritinga foi a mais castigada pelas rajadas de vento e granizo. Estufas foram rasgadas, lavouras acabaram destruídas e pomares inteiros foram derrubados. O impacto econômico também atingiu a produção de cana-de-açúcar e os estoques de amendoim nas regiões de Ribeirão Preto e Jaboticabal. Em Guariba, o isolamento físico provocado pelos bloqueios de estradas ainda impede que os técnicos avaliem a extensão real das perdas no campo.
A conta da reconstrução em Ribeirão Preto
Na maior cidade da região, Ribeirão Preto, o cenário exige uma engenharia financeira robusta. A prefeitura calcula que os gastos imediatos somam R$ 21,15 milhões. Esse montante foi consumido exclusivamente por ações emergenciais de limpeza pública, retirada de entulho, desobstrução de vias, poda de urgência, extração de troncos e lavagem de praças comprometidas pelo temporal.
Para arcar com esses custos, a administração municipal enviou um relatório detalhado à Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. O documento solicita o reconhecimento oficial do estado de emergência e o repasse de verbas federais para habitação popular, reconstrução de equipamentos públicos deteriorados e reestruturação da malha elétrica urbana. O balanço dos danos no município contabiliza centenas de árvores caídas, bloqueios de trânsito, desabastecimento de água e uma morte confirmada decorrente do temporal.
