Santa Cruz de la Sierra, Bolívia – O Aeroporto Internacional Viru Viru, nos arredores de Santa Cruz de la Sierra, tornou-se o cenário de uma apreensão recorde de metais preciosos na Bolívia. Agentes das forças de segurança do país interceptaram uma carga massiva de 189,5 quilos de ouro, que estava acomodada no interior de um jatinho particular de propriedade brasileira. A avaliação preliminar do carregamento aponta para uma cifra impressionante, superando a marca de R$ 120 milhões, o que mobilizou imediatamente o aparato judicial da região.
De acordo com os relatórios das autoridades policiais bolivianas que coordenaram a ação, o montante em ouro estava sendo transportado de maneira clandestina, sem as devidas licenças e autorizações necessárias para a exportação legal de minérios. As investigações iniciais apontam que o plano de voo e a logística da carga clandestina tinham como destino final a cidade de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, um dos principais centros globais de comércio de metais nobres. Diante da gravidade da situação e da falta de comprovação de origem da mercadoria, a Justiça boliviana determinou, por meio de uma decisão judicial, que todo o lote de ouro confiscado fosse transferido de imediato para a custódia do Banco Central da Bolívia.
A aeronave utilizada no transporte do material está registrada em nome do empresário brasileiro Valdir José Zorzo. Ele é uma figura conhecida no cenário econômico do Centro-Oeste do Brasil, sendo o principal executivo e proprietário do Grupo Dallas, um conglomerado empresarial baseado no estado de Mato Grosso do Sul que atua com destaque nos segmentos de agroindústria e no setor de produção de alimentos.
Diante da repercussão do caso, o Grupo Dallas veio a público nesta segunda-feira (27) para emitir um posicionamento oficial detalhado sobre o ocorrido. Através de uma nota formal assinada pela diretoria, a companhia buscou afastar qualquer ligação do empresário ou do grupo com a operação de transporte do ouro ilícito. O comunicado esclarece que Valdir José Zorzo não se encontrava a bordo da aeronave no momento da abordagem policial em Santa Cruz de la Sierra e enfatiza que o voo em questão não contou com a anuência, consentimento ou qualquer tipo de autorização por parte de seu proprietário.
A posição da defesa e os próximos passos
A nota divulgada à imprensa também trouxe esclarecimentos sobre o status atual do jatinho particular e a dinâmica de operação da empresa. O documento reforça que o veículo aéreo de propriedade de Zorzo não é utilizado para a prestação de serviços de frete comercial ou transporte de terceiros sob regime de aluguel. Contrariando as primeiras informações de que o avião estaria retido pelas forças bolivianas, a assessoria do Grupo Dallas garantiu que o jatinho não foi alvo de apreensão definitiva pelas autoridades do país vizinho.
Segundo o grupo empresarial sul-mato-grossense, o jatinho já se encontra estacionado em território nacional, livre de quaisquer restrições ou medidas de constrição judicial por parte da justiça boliviana. A empresa fez questão de registrar que tanto o empresário quanto o corpo diretivo do grupo estão totalmente à disposição das autoridades que conduzem as investigações na Bolívia, prestando as informações necessárias para que as circunstâncias do episódio sejam esclarecidas.
Para além da colaboração com a polícia do país vizinho, o Grupo Dallas anunciou que já instaurou um procedimento de auditoria e apuração interna para mapear como a aeronave foi utilizada sem o conhecimento da diretoria e quem foram os responsáveis por arquitetar o transporte da carga. Por fim, a nota reforça que, até o presente momento, não existe nenhuma acusação ou indiciamento formal apresentado pelos órgãos de investigação, seja contra a pessoa física de Valdir José Zorzo, seja contra as empresas que compõem o Grupo Dallas.
