Brasília (DF) – Nesta quarta-feira, 12 de junho, a Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou uma ofensiva de grandes proporções para desmantelar uma organização criminosa que dominava a distribuição de hormônios, estimulantes e diuréticos falsificados no Brasil. A Operação Narciso mobilizou agentes em oito estados, além do DF, resultando no cumprimento de 43 mandados de prisão e 64 ordens de busca e apreensão. O prejuízo imposto à estrutura financeira do grupo, com o bloqueio de R$ 32 milhões, reflete a escala da rede.
Ao menos 30 pessoas foram detidas até o momento. Entre os alvos, há profissionais de áreas variadas como nutrição, biomedicina, farmácia e veterinária, além de treinadores e influenciadores digitais que, segundo as investigações, serviam como peças-chave no esquema. Sete dos investigados foram localizados no Paraguai, país apontado como rota de entrada dos insumos contrabandeados.
A produção ocorria longe da fiscalização sanitária, em ambientes domésticos e depósitos improvisados. Sem qualquer rigor de pureza ou higiene, os criminosos adulteravam as substâncias antes de despejá-las no mercado nacional. A estimativa das autoridades é alarmante: cerca de 80% dos anabolizantes consumidos atualmente no país teriam origem clandestina. É essa adulteração em massa que garantia as margens de lucro elevadas do grupo.
Para mascarar o rastro financeiro do negócio, a organização utilizava um complexo sistema que envolvia empresas de fachada, contas de passagem e até mesmo sites de apostas. O dinheiro, lavado através dessas transações, sustentava um estilo de vida incompatível com a licitude. Em Brasília e outras capitais, os suspeitos foram capturados em imóveis de alto padrão, cercados por itens de luxo e uma frota que incluía 25 veículos importados agora apreendidos.
A estrutura desmantelada era vasta e incluía farmácias de manipulação, academias, gráficas e depósitos. Além da interdição de 13 estabelecimentos comerciais que serviam de fachada ou base operacional para a rede, a justiça determinou o bloqueio de 22 perfis em redes sociais utilizados para a comercialização e promoção das substâncias ilícitas. Durante as diligências, as equipes recolheram joias, relógios, telefones celulares e uma vasta quantidade de frascos prontos para a venda.
A investigação aponta que a sofisticação da operação criminosa era apenas uma fachada para uma atividade que coloca em risco direto a saúde dos usuários. O delegado Rodrigo Carbone, responsável pela Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, ressalta que o contraste entre a ostentação exibida pelos envolvidos e a precariedade dos locais de fabricação era uma constante. O cerco aos foragidos e o desdobramento das provas apreendidas continuam sendo o foco principal das equipes de investigação nos próximos dias.
