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Justiça

Ciclista morto após linchamento em Copacabana: seguranças se entregam à polícia carioca

Última atualização: 21 de Agosto, 2026 8:57
Por
Erre Soares
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4 Min Leia
📷 jonathan-lins-20.jpg?itok=dGM4G5gW alt=Maceió (AL), 22-06-2026 - FOTO DE ARQUIVO - Festa junina e
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Rio de Janeiro (RJ) – Na última quinta-feira (20), os dois seguranças particulares envolvidos no espancamento fatal do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, apresentaram-se espontaneamente às autoridades policiais. O trágico episódio, ocorrido na Zona Sul do Rio de Janeiro, mobiliza agora os esforços dos investigadores para localizar os outros dois participantes da ação criminosa: entregadores que faziam serviço de delivery na região e continuam foragidos desde o ocorrido.

O crime começou a partir de uma suspeita sem qualquer fundamento prático na noite do dia 11 deste mês. Cláudio Rafael tinha o costume de pedalar de Botafogo até a Rua Belford Roxo, em Copacabana, utilizando a bicicleta que pertencia à sua irmã. Naquela noite, contudo, seu percurso de rotina acabou interrompido de forma abrupta por dois vigilantes informais que decidiram questionar a propriedade da bicicleta, iniciando uma abordagem sem nenhuma prova de ato ilícito.

Davi Santos Machado iniciou a interpelação portando um porrete de madeira. Ao ser questionado se o veículo de duas rodas era de sua propriedade, Cláudio Rafael, que convivia com um transtorno psicológico diagnosticado, tentou responder prontamente. Devido à sua condição, conseguiu apenas balbuciar de maneira fragmentada que a bicicleta pertencia à sua irmã. A breve hesitação foi o estopim para o início das agressões. O outro vigilante, Jorge Luiz Ricardo Dias, tomou o objeto das mãos do rapaz, que ainda tentou segurar o bem da família, mas acabou agredido fisicamente por Davi pela primeira vez.

Uma sessão cruel de espancamento nas escadarias

Sozinho, assustado e sem sua condução, o ciclista caminhou até as escadarias de um prédio residencial na Rua Felipe de Oliveira, onde se sentou para tentar se recuperar. Foi exatamente naquele ponto que os agressores deram início a uma sessão de tortura e agressão física contínua. Utilizando o bastão, Davi desferiu mais de 30 golpes brutais contra a cabeça da vítima, além de aplicar diversos chutes na região do tórax e do abdômen. Cláudio ainda tentou correr para salvar a própria vida, mas acabou sendo derrubado pelos dois entregadores que passavam pelo local e decidiram aderir ao linchamento.

A sessão de agressões durou nove minutos ininterruptos, terminando apenas quando a vítima já não esboçava qualquer reação. Antes de deixar o local do crime, Davi usou o próprio telefone celular para tirar fotografias de Cláudio desfalecido na calçada, enquanto um dos entregadores revistou as vestes do rapaz. O socorro do Corpo de Bombeiros chegou 30 minutos depois, encaminhando o jovem ao Hospital Municipal Miguel Couto, localizado no bairro da Gávea. Ele não resistiu aos graves ferimentos, vindo a óbito na madrugada do dia 12 devido a um traumatismo craniano grave e hemorragia interna severa.

De acordo com o delegado titular da 12ª DP (Copacabana), Ângelo Lages, os quatro suspeitos identificados na ação criminosa vão responder perante a Justiça por homicídio triplamente qualificado — enquadrado pelas qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e impossibilidade absoluta de defesa da vítima. Os agentes da Polícia Civil seguem realizando buscas na tentativa de capturar os dois entregadores de aplicativo que permanecem foragidos.

MARCADOCopacabanaLinchamentoRio de JaneiroSegurança Particularviolência urbana
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