O Brasil, país onde a população passa cerca de 116 horas semanais conectada, prepara-se para uma experiência coletiva de descompressão digital. A partir desta quarta-feira (26), a Outward Bound Brasil (OBB) dá o pontapé inicial na campanha batizada de Dia do Reset, convidando o país a suspender o uso de redes sociais por um período de 24 horas no dia 26 de setembro.
A meta é ambiciosa: atrair 200 mil participantes simultâneos e acumular entre 250 mil e 700 mil horas longe das telas. O projeto não carrega uma postura de boicote tecnológico. A intenção, segundo a organização, é instaurar uma reflexão sobre a intencionalidade do uso dessas ferramentas, priorizando a presença, o contato com a natureza e as relações interpessoais.
Eduardo Becker, conselheiro da OBB, descreve o cenário atual como uma espécie de pandemia silenciosa. Dados indicam que o excesso de virtualidade tem impacto direto na saúde mental de jovens brasileiros, com índices crescentes de ansiedade e pânico, além de uma parcela significativa da população que ignora as recomendações mínimas de atividade física da OMS. Para os organizadores, a tecnologia deve servir ao indivíduo, e não o contrário.
A ideia surgiu em 2025 nos Estados Unidos, sob o nome The Reset, reunindo 51 mil pessoas em sua estreia. Agora, o braço brasileiro da organização — presente no país desde o ano 2000 — adapta o formato para a realidade local. Mais de 80 empresas já sinalizaram adesão ao movimento, que também conta com o apoio de figuras como a alpinista Aretha Duarte, o velejador Beto Pandiani e o pediatra Daniel Becker.
Não há uma regra única para o que fazer durante esse hiato. A proposta é que cada inscrito decida como preencher o tempo liberado, seja por meio de atividades ao ar livre, encontros familiares ou momentos de introspecção. O coletivo Entre Parques atuará como ponto de apoio para a ocupação de espaços públicos, enquanto o site oficial da iniciativa disponibiliza guias práticos e materiais educativos para auxiliar aqueles que buscam um respiro na rotina digital.
Fundada em 1941, no Reino Unido, a Outward Bound consolidou-se ao longo das décadas como uma referência em aprendizagem experiencial. Ao aplicar sua metodologia de conexão com o meio ambiente e desenvolvimento humano, a organização busca reafirmar que, antes de usuários digitais, o ser humano é um indivíduo que precisa de tempo e espaço real para florescer, longe da pressão incessante das notificações.
