Brasília (DF) – O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a contar com uma oferta mais robusta de trombolíticos em sua rede de urgência e emergência. A medida, oficializada pela Lei nº 5.972/2023, sancionada nesta quarta-feira (2), visa facilitar o acesso ao tratamento farmacológico para pacientes que sofrem de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico em unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e no Samu 192.
Esses fármacos funcionam como uma ferramenta crítica para dissolver coágulos sanguíneos que bloqueiam vasos cerebrais ou coronários. Em cenários onde procedimentos de alta complexidade, a exemplo da angioplastia, não podem ser realizados imediatamente devido à distância ou logística, o trombolítico estabiliza o quadro clínico. A intervenção precoce é determinante para a sobrevivência e para a minimização de danos neurológicos ou cardíacos permanentes.
Embora protocolos para o uso desses medicamentos já existissem, a descentralização na compra, que dependia da gestão local, frequentemente criava gargalos. Para contornar essa disparidade, o Ministério da Saúde instituiu um comitê técnico voltado especificamente ao acompanhamento das linhas de cuidado em agravos cardiovasculares e cerebrovasculares. O objetivo do grupo é uniformizar diretrizes, organizar a distribuição e qualificar o atendimento em todo o território nacional.
O impacto da celeridade no atendimento é direto. Segundo estimativas acompanhadas pela pasta, o uso correto e imediato desses trombolíticos possui potencial para reduzir em até 50% o índice de óbitos decorrentes de infarto. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou que o tempo de resposta é o fator decisivo entre a recuperação e a progressão de sequelas graves.
Os números que justificam a medida são expressivos. O país contabiliza entre 300 mil e 400 mil episódios de infarto anualmente. No caso do AVC, apenas em 2025, a rede pública registrou 292 mil atendimentos, sendo a grande maioria — 218 mil ocorrências — referente ao tipo isquêmico, aquele causado pela obstrução do fluxo sanguíneo.
Atualmente, o suporte avançado de vida do Samu 192 conta com 102 unidades habilitadas para a aplicação desses fármacos. A distribuição geográfica dessas unidades é heterogênea: o Ceará lidera com 28 bases equipadas, seguido por Minas Gerais (22), Sergipe (16), Rio Grande do Norte (13), Bahia (12), São Paulo (9) e Paraíba (2). Ao longo de 2025, o serviço móvel realizou 861 intervenções com trombolíticos. Com a nova regulamentação, a expectativa é que esse alcance se torne capilar e consistente em todas as regiões, assegurando que o tratamento chegue ao paciente antes que o dano ao organismo se torne irreversível.
