O início da manhã desta segunda-feira (28) foi marcado por uma ação ostensiva em Salvador. Agentes do Ministério Público da Bahia cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão contra membros da presidência e da diretoria de uma torcida organizada do Esporte Clube Bahia. O alvo central das investigações são relatos graves de tortura ocorridos na sede da organização.
O inquérito detalha que, em julho deste ano, pelo menos duas pessoas foram mantidas sob cárcere por horas. Sob ameaças constantes, elas teriam sido forçadas a confessar supostas irregularidades. O cenário descrito pelas autoridades envolve requintes de crueldade: as vítimas foram submetidas a sufocamento, afogamento e agressões sistemáticas com o uso de tacos de beisebol e outros objetos cortantes.
Além da acusação de tortura, o Governo da Bahia aponta que o grupo é investigado por uma série de outros delitos, incluindo extorsão, roubo, ameaça e associação criminosa. Um detalhe chamou a atenção dos investigadores: entre as pessoas que tiveram mandados expedidos pela justiça está um policial militar, sugerindo uma teia complexa por trás da estrutura da agremiação.
A violência nas organizadas baianas não é um fenômeno isolado. O histórico recente traz episódios de alta periculosidade que colocam a segurança pública em alerta. Em setembro, o clássico entre Bahia e Vitória foi manchado pela morte de Alexandre Borges, de 28 anos, esfaqueado horas antes do apito inicial. Seis suspeitos foram presos em flagrante, levantando a hipótese de ligação com outros quatro homicídios ocorridos na região.
Outro marco de violência ocorreu em março, quando sete membros da torcida foram detidos pela Polícia Civil sob acusação de tentativa de homicídio contra um torcedor do time rival. O histórico se estende ainda a 2020, quando o ônibus que transportava o elenco do Bahia foi atingido por artefatos explosivos em Salvador. O caso resultou em ferimentos graves no goleiro Danilo Fernandes — que precisou passar por cirurgia ocular — e no jogador Matheus Bahia.
Quatro dos envolvidos nesse ataque ao ônibus do clube aguardam agora a definição da data do júri popular, onde responderão por tentativa de homicídio qualificado. O processo aguarda apenas o trânsito em julgado para seguir o rito processual.
Até o fechamento desta reportagem, a diretoria da torcida organizada alvo da operação desta segunda-feira não havia se manifestado sobre as acusações.
