Nova York, Estados Unidos – O mercado financeiro reagiu com cautela nesta segunda-feira, 28, diante da escalada de tensões no Oriente Médio. O estopim foi a negativa do presidente Donald Trump à proposta de paz apresentada pelo Irã, movimento que reverberou imediatamente no preço do petróleo bruto. A commodity saltou 2%, alcançando a marca de US$ 107 por barril, o que forçou uma pressão direta sobre os Treasuries e elevou os rendimentos dos títulos de longo prazo a patamares não vistos em décadas.
A percepção de que a energia continuará sendo um vetor de inflação instalou o pessimismo nos principais índices de Wall Street. O Dow Jones recuou 0,47%, para 51.583,60 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 0,46%, fechando a 7.707,50 pontos. O Nasdaq Composite acompanhou o movimento, com uma perda de 0,65%, para 26.893,56 pontos. O setor de bens de consumo discricionário foi um dos mais afetados, penalizado por quedas expressivas como a da DoorDash, que perdeu 6%, e da Carvana, com baixa de 5%.
A oferta iraniana, discutida durante a Assembleia Geral da ONU na semana passada e mediada pelo Catar, foi descartada por Trump no último sábado. Contudo, em declaração ao site Axios no domingo, o presidente abriu uma brecha ao sinalizar que aguarda a continuidade das conversas por parte dos negociadores americanos ao longo desta semana. O mercado, porém, mantém o foco na postura do Federal Reserve.
Analistas apontam que a persistência da energia como pressão inflacionária é o combustível que pode forçar o banco central norte-americano a apertar ainda mais a política monetária. Atualmente, os operadores operam com uma probabilidade de 68% de que o Fed eleve os juros em, no mínimo, 25 pontos-base já na reunião de outubro.
Na contramão do cenário de incertezas, a Nvidia conseguiu sustentar um desempenho positivo, com suas ações subindo 3,2%. A valorização veio após a companhia anunciar um plano de recompra de ações no valor de US$ 150 bilhões, o maior volume da história da empresa. O movimento garantiu um respiro em meio a um dia marcado pelo desconforto dos investidores com a instabilidade global e o temor de custos mais altos para a economia dos Estados Unidos.
O mercado agora aguarda a divulgação de uma série de indicadores econômicos cruciais nos próximos dias, que servirão de termômetro para os próximos passos do Fed. A volatilidade, ao que tudo indica, deve ditar o ritmo das negociações enquanto a situação geopolítica permanece sem uma definição clara.
