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Estratégia dos EUA para conter China na América Latina usa combate ao narcotráfico como escudo
Internacional

Estratégia dos EUA para conter China na América Latina usa combate ao narcotráfico como escudo

Última atualização: 27 de Setembro, 2026 19:35
Por
Erre Soares
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3 Min Leia
📷 White House/Divulgação
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Nova York, Estados Unidos – O Escudo das Américas, uma coalizão encabeçada pelos Estados Unidos, emerge menos como um pacto de segurança e mais como um movimento de xadrez geopolítico. Ao reunir 14 nações latino-americanas, o grupo utiliza a retórica do combate aos cartéis de drogas para ampliar a ingerência americana na região e frear a crescente influência econômica da China. Para analistas, a manobra repete uma lógica colonial de pressão comercial e tecnológica, agora disfarçada sob a justificativa de conter o crime organizado.

Às margens da 81ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, a coalizão oficializou a intenção de levar a pauta à Organização dos Estados Americanos (OEA). No centro da estratégia está a classificação de 24 grupos, incluindo o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas. O movimento, contudo, é visto com desconfiança por especialistas. Danilo Enrico Martuscelli, professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), define a política da Casa Branca como uma fase de agressão imperial aberta. Ele aponta contradições severas, como o fato de o governo Trump ter concedido indulto ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado por facilitar o tráfico internacional de cocaína.

Integrada por países como Argentina, Bolívia, Colômbia e Equador, a coalizão, criada em março, busca legitimar a presença de tropas americanas em solo estrangeiro. Robson Valdez, professor do IDP, destaca que o impacto é direto: ao colocar a segurança sob a égide americana, envia-se um recado claro a Pequim de que as relações comerciais na região passam, obrigatoriamente, pelo crivo da política externa dos EUA.

Brasília, que não foi chamada para a iniciativa, adota uma postura cautelosa. O governo brasileiro enxerga o bloco como uma ferramenta de alinhamento automático em temas econômicos, temendo restrições a parcerias estratégicas. O receio é que a Coalizão imponha a aquisição de equipamentos militares americanos, retirando dos países sul-americanos a soberania sobre suas compras de armamentos.

A ambição do grupo vai além das drogas. O documento de fundação do Escudo cita a proteção de cadeias de suprimento de minerais críticos. Esses insumos, vitais para tecnologias de defesa e a transição energética, são o verdadeiro campo de batalha entre Washington e Pequim. Ao invocar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), o grupo busca institucionalizar essa pressão dentro da OEA, tentando forçar o apoio de nações como Brasil, México e Uruguai.

Para Martuscelli, o uso da OEA serve apenas para dar um verniz legal a uma política de contenção. Resta saber se, diante das pressões para evitar a dita influência maligna vinda de fora do Hemisfério Ocidental, os países da América Latina aceitarão abrir mão da autonomia em troca do apoio americano no combate ao narcotráfico.

MARCADOAmérica LatinaChinaEUAGeopolíticaNarcotráfico
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