Rio de Janeiro (RJ) – Uma articulação entre agentes da Polícia Federal e o Ministério Público do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quarta-feira (07), a operação Magen. O alvo principal é uma estrutura criminosa composta por policiais militares e ex-agentes, acusados de abastecer o Complexo de Israel, na zona norte, com armamento pesado. O grupo não apenas fornecia fuzis, mas também vazava informações sigilosas da segurança pública e operava um complexo esquema de lavagem de dinheiro para o Terceiro Comando Puro (TCP).
O volume financeiro operado pelos investigados impressiona pelo alcance: foram mais de R$ 250 milhões movimentados ao longo de quatro anos. Para ocultar a origem ilícita dos recursos oriundos do tráfico de armas, a quadrilha utilizava contas pessoais e cinco empresas registradas nos setores de alimentação, construção e comércio de materiais. Em resposta, a Justiça autorizou o bloqueio de todo esse montante, além do sequestro de 31 veículos e três imóveis ligados aos suspeitos.
O balanço inicial da PF confirma a prisão de cinco pessoas, entre elas um policial militar da ativa, três ex-militares e um ex-comissionado da Assembleia Legislativa do Estado. Durante as diligências, as autoridades localizaram carregadores, uma pistola e fuzis. Apesar da ofensiva, o traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, que comanda a facção no Complexo de Israel, permanece foragido junto a outro investigado.
Ao todo, sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão estão sendo cumpridos. A operação se espalha por quatro bairros da capital e avança por municípios como Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Mesquita, Nilópolis e Seropédica. O Ministério Público apresentou denúncia contra dez pessoas, que devem responder por crimes como organização criminosa armada, comércio ilegal de munições e armas de fogo, agiotagem, violação de sigilo funcional e lavagem de ativos.
Para evitar que os alvos escapem das sanções judiciais, o Ministério Público solicitou o recolhimento dos passaportes daqueles com prisão decretada. A Polícia Federal também foi acionada para incluir os nomes dos foragidos no sistema da Interpol, mitigando o risco de uma eventual fuga do território nacional.
