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Polícia Federal desmantela engrenagem financeira que financiava o Comando Vermelho
Segurança

Polícia Federal faz buscas em três estados contra desvios de verba parlamentar de veículos

Última atualização: 1 de Julho, 2026 16:56
Por
Erre Soares
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4 Min Leia
📷 PF/Divulgação
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Brasília (DF) – O Supremo Tribunal Federal deu o aval necessário para que a Polícia Federal avançasse em uma investigação que atinge o núcleo de desvios de recursos no âmbito parlamentar. Na quarta-feira (1º), equipes de policiais federais foram às ruas no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais para cumprir ordens judiciais de busca e apreensão. A ação marca a deflagração da Operação Galho Fraco II, que corresponde à terceira fase de uma apuração maior, batizada inicialmente de Operação Rent a Car. O foco das atenções está voltado para o rastreamento de verbas públicas que deveriam financiar atividades legislativas, mas que tomaram rumos suspeitos.

O inquérito debruça-se sobre crimes graves que costumam caminhar juntos na administração pública: peculato, lavagem de capitais e organização criminosa. Contudo, nesta nova etapa, os investigadores depararam-se com uma situação que exigiu pressa na atuação judicial. Surgiram indícios claros de fraude processual, caracterizada por tentativas de ocultar documentos ou modificar elementos que pudessem servir de evidência no processo. Essa suspeita de destruição de provas apressou as buscas nos endereços dos envolvidos.

O mecanismo do desvio de verba parlamentar

A engrenagem sob suspeita envolve a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, verba mensal destinada a custear gastos diretamente ligados ao mandato dos congressistas. Entre os reembolsos previstos por essa cota está a contratação de serviços de transporte e locação de veículos para deslocamento em bases eleitorais. Nas etapas anteriores da operação, a fiscalização identificou distorções e irregularidades graves justamente nesses contratos de aluguel de carros de representação.

Com o avanço das investigações, o foco mudou da mera constatação da fraude contratual para o destino final do dinheiro. A Polícia Federal aponta que o esquema operava por meio de uma associação estruturada entre agentes públicos, pessoas físicas e empresas. Essas pessoas jurídicas funcionavam como ferramentas para ocultar a verdadeira origem e destinação dos valores desviados. Ao emitirem notas e contratos fictícios, essas corporações davam uma aparência de legalidade à circulação de recursos que saíam diretamente dos cofres públicos para o patrimônio privado dos envolvidos.

A necessidade de atuação em três frentes geográficas diferentes — a capital federal, o território goiano e as cidades mineiras — reflete a capilaridade da rede sob investigação. Ao cruzar as fronteiras estaduais, o grupo tentava dificultar o rastreamento dos recursos e diluir a atenção dos órgãos de controle financeiro. Esta fase foca, fundamentalmente, em responder a uma pergunta central: quem de fato usufruiu dos montantes desviados sob o pretexto de aluguel de automóveis?

As ações executadas visam recolher computadores, mídias digitais, documentos financeiros e outros registros que ajudem a preencher as lacunas sobre os beneficiários finais dos repasses. A intervenção judicial, chancelada pela mais alta Corte do país, visa blindar o acervo de provas de novas manipulações e garantir que a linha de investigação sobre a lavagem de dinheiro seja totalmente esclarecida.

MARCADOdesvio de recursosFraudeOperação Galho FracoPolícia Federalverba parlamentar
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