Brasília (DF) – A deputada federal eleita por Minas Gerais, Ana Elisa Santos Silva (PT), tomou a decisão de desativar sua conta na rede social X em meio a um cenário de terror. Aos 21 anos, a parlamentar — que fez história nas urnas em 2026 — tornou-se alvo de uma série de ameaças de morte e violência sexual, ataques que ganharam escala durante o período eleitoral.
O agravamento da situação ocorreu após uma visita da jovem a Brasília, na quinta-feira (8), quando ela participou de ações de apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. A partir desse movimento, o que eram críticas políticas transformaram-se em um cerco digital. Segundo relatos da própria deputada, sua equipe optou pela desativação do perfil diante de uma cadência assustadora: as ameaças de estupro e homicídio chegavam a cada dois minutos.
O caso já está sob investigação da Polícia Civil de Minas Gerais. Ana Elisa descreveu um estado de vulnerabilidade acentuada pela ausência de escolta policial. Entre as evidências apresentadas pela parlamentar, constam prints de um e-mail recebido em 5 de setembro, no qual o remetente, identificando-se como integrante de um grupo supremacista branco e de extrema-direita, detalha o interesse em concretizar abusos sexuais e manifesta desprezo pela presença de mulheres pretas em esferas de poder.
Trajetória e recordes
Natural de Divinópolis, estudante de Direito e ex-estagiária no TRT-MG, Ana Elisa consolidou um fenômeno político nas redes sociais. Com 524.219 votos conquistados em 2026, ela não apenas garantiu o posto de segunda candidata mais votada em Minas Gerais, atrás apenas de Nikolas Ferreira, como também se tornou a mulher mais votada da história do estado para a Câmara dos Deputados e a deputada federal mais jovem da trajetória democrática brasileira. Seu engajamento em temas como feminismo e educação impulsionou seu alcance no Instagram para a marca de 3 milhões de seguidores.
O episódio protagonizado por ela reflete uma tendência alarmante no país. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que a violência política de gênero cresceu 11 vezes entre 2022 e 2026. O cenário motivou, no final de setembro, a entrega de um dossiê por entidades da sociedade civil ao TSE, listando denúncias recorrentes de ataques físicos e verbais contra candidatas.
Para casos dessa natureza, o governo mantém canais de denúncia como a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), além da Ouvidoria Nacional da Mulher e da atuação específica da Polícia Federal e do Ministério Público Eleitoral. Em situações de risco imediato, a orientação permanece sendo o acionamento da Polícia Militar pelo 190.
