Juiz de Fora (MG) – O clima político em Minas Gerais foi marcado, nesta sexta-feira (16), pela repercussão da promulgação do fim da jornada de trabalho 6×1 no Senado Federal. Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, aproveitou a pauta — que ele defendia publicamente há meses — para dar o ritmo de sua agenda de campanha no estado, realizando passeatas em Juiz de Fora e Ipatinga.
Durante a passagem por Juiz de Fora, o petista buscou dissipar temores do setor varejista. Em um discurso voltado a empresários e comerciantes, ele garantiu que a alteração no regime de escalas não resultará em perdas financeiras. Segundo o candidato, a medida representa um ganho para o país, com foco especial na qualidade de vida dos trabalhadores e, principalmente, das mulheres, que passam a contar com dois dias de descanso para dedicar ao ambiente doméstico e familiar.
A estratégia de mobilização não se limitou à pauta trabalhista. Lula aproveitou os atos para solicitar aos eleitores que intensifiquem a pressão sobre indecisos e aqueles que se abstiveram no primeiro turno. Ao listar realizações de sua gestão atual, o candidato destacou investimentos em escolas de tempo integral e o alcance do programa Pé-de-Meia, iniciativa voltada a garantir a permanência de estudantes do ensino médio público na rede de ensino.
Já no início da noite, o cenário mudou para Ipatinga. Em meio a apoiadores, o tom subiu ao abordar o legado do governo Jair Bolsonaro. Lula classificou o período anterior como um intervalo de reconstrução nacional e projetou que um eventual quarto mandato seria focado estritamente no crescimento econômico. Entre as promessas, o candidato garantiu que, a partir de janeiro, a cesta básica estará isenta de tributação, especificamente citando a carne e o feijão como itens prioritários para conter a inflação sobre os alimentos.
O tom de campanha também incluiu ataques à relação de seus opositores com a imprensa. O presidente questionou a ética por trás do almoço realizado entre Flávio Bolsonaro e diretores do Grupo Globo, ocorrido justamente no dia em que o senador participaria de entrevista no Jornal Nacional. Lula, que passou por sabatina na emissora no dia 14, sugeriu que a campanha adversária desfruta de um tratamento diferenciado e colocou a conduta da empresa sob suspeição.
Em resposta à polêmica, o Grupo Globo confirmou que Flávio Bolsonaro esteve na sede da emissora no Rio de Janeiro para uma visita institucional. A empresa esclareceu que o compromisso incluiu uma reunião com o presidente do grupo, João Roberto Marinho, e com o vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. A emissora pontuou que o almoço foi um ato de cortesia comum a candidatos e reforçou que nenhum representante da equipe de jornalismo participou do encontro.
