O Ministério da Justiça e Segurança Pública oficializou, nesta segunda-feira (19), a mobilização de tropas da Força Nacional de Segurança Pública para a área da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. A operação, estabelecida por um período inicial de 90 dias, busca oferecer suporte operacional às forças policiais federais e estaduais que já operam no território.
De acordo com a Portaria nº 1.321/2026, o objetivo central da intervenção é assegurar a preservação da ordem pública, além de garantir a integridade física de pessoas e a segurança das instalações do complexo. A presença da tropa possui caráter temporário e seguirá um planejamento estratégico específico.
Na prática, a Força Nacional trabalhará de forma integrada com as autoridades do Pará, mantendo a coordenação sob o comando da Polícia Federal. Caberá à Diretoria da Força Nacional de Segurança Pública — órgão vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Pública do ministério — determinar o efetivo total de agentes que serão destacados para o terreno. Por outro lado, a entidade que formalizou o pedido de auxílio ficará encarregada de prover toda a logística e a infraestrutura básica necessária para o pleno funcionamento da operação.
A presença das forças de segurança ocorre exatamente no ano em que a usina completa uma década de funcionamento oficial. O projeto, concebido ainda na década de 1970, sempre gerou intensos debates devido à proposta de desviar cerca de 80% do curso natural do Rio Xingu por um trecho de 130 quilômetros para alimentar o reservatório.
Para registrar o marco temporal, uma coalizão composta pela Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (Aida), pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e outras entidades lançou uma carta aberta. O texto denuncia o agravamento das violações sofridas pelas comunidades indígenas, ribeirinhas e pescadores artesanais ao longo da última década, agravadas, segundo o documento, pelos impactos climáticos.
Atualmente sob a administração da concessionária Norte Energia, principal acionista do empreendimento desde 2010, a usina desempenha um papel relevante no sistema elétrico nacional. O complexo atende, em média, a 5% da demanda anual por energia no Brasil. Em resposta às demandas socioambientais, a concessionária afirma que já aplicou mais de R$ 8 bilhões em compromissos assumidos durante o processo de licenciamento da obra.
