O Peru definiu os nomes que disputarão o segundo turno das eleições presidenciais em 7 de junho após um processo de apuração marcado por instabilidade e atrasos. A candidata de direita Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, avançou com 17,18% dos votos. Ela enfrentará o esquerdista Roberto Sánchez Palomino, que obteve 12,03%, superando por uma margem estreita de 21 mil votos o ultraconservador Rafael Aliaga.
Contexto de incertezas
A contagem oficial enfrentou obstáculos logísticos e contestações infundadas sobre supostas fraudes, que foram descartadas por observadores da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos. O pleito, que também renovou a composição do Congresso com 130 deputados e 60 senadores, ocorre em um momento de profunda crise institucional, na qual o país busca estabilidade após a sucessão de diversos presidentes na última década.
Cenário dos candidatos
Keiko Fujimori tenta romper um histórico de três derrotas consecutivas em segundos turnos, entre 2011 e 2021. Sua plataforma atual sugere um alinhamento mais próximo aos Estados Unidos, o que gera expectativas sobre o futuro de investimentos chineses estratégicos, como o Porto de Chancay. Por outro lado, Roberto Sánchez, ex-ministro do governo de Pedro Castillo, defende propostas como a nacionalização de recursos naturais e a convocação de uma nova Assembleia Constituinte.
Desafios judiciais e históricos
A candidatura de Sánchez é atravessada por denúncias do Ministério Público peruano, que solicitou uma pena de cinco anos e quatro meses de prisão por supostas irregularidades na prestação de contas partidárias entre 2018 e 2020. O candidato nega as acusações e afirma que o processo já havia sido arquivado pela justiça anteriormente. Enquanto isso, o país ainda lida com o legado da queda de Pedro Castillo, preso após uma tentativa de golpe de Estado, e a subsequente crise que culminou na destituição de outros líderes interinos pelo Parlamento.
O Jurado Nacional de Eleições deve proclamar os resultados oficiais no próximo domingo, após concluir uma recontagem inédita dos votos. O Peru, quarto país mais populoso da América do Sul, mantém uma fronteira extensa com o Brasil e observa com atenção o desfecho deste pleito, que pode definir o rumo político do país para os próximos cinco anos.
