Bahia (BA) – Um novo investimento de R$ 10 milhões chega ao semiárido da Bahia com o objetivo de impulsionar a produção, o beneficiamento e a venda de itens da agricultura familiar. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o BNDES e a Petrobras, desenhada para fortalecer 27 cooperativas e associações espalhadas por 26 municípios baianos.
A execução do plano ficará a cargo da União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Estado da Bahia (Unicafes Bahia). A ação integra o programa Sertão + Produtivo, um esforço voltado a áreas marcadas pela vulnerabilidade socioeconômica. Para se ter dimensão da relevância local, a agricultura familiar é responsável por 78,24% dos estabelecimentos rurais no semiárido, região que ocupa 85,6% do território do estado.
Ao longo dos próximos 36 meses, o projeto deve alcançar 720 agricultores diretamente. Entre os contemplados, há uma composição demográfica específica: 504 mulheres, 504 jovens e 45 quilombolas — lembrando que esses grupos podem se sobrepor nas estatísticas. O cronograma prevê assistência técnica intensiva, com a realização de 7,2 mil visitas, 900 reuniões de extensão rural e 180 oficinas de capacitação.
A estratégia vai além do suporte técnico. Serão implantados 240 sistemas produtivos agroecológicos, que servirão como referência para a região, além da criação de 12 feiras orgânicas para facilitar o contato direto com o consumidor. O pacote de infraestrutura contempla ainda 40 quintais produtivos com galinheiros, 40 sistemas de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), e 120 estruturas voltadas à produção de ovos caipiras.
O beneficiamento de mercadorias também está no radar. O plano prevê a estruturação ou melhoria de 11 unidades: quatro fábricas de ração, quatro entrepostos de ovos e três minicentrais de abastecimento. Tudo isso espalhado pelos Territórios de Identidade Bacia do Jacuípe, Piemonte do Paraguaçu, Portal do Sertão, Sertão Produtivo e Sudoeste Baiano.
Municípios como Pintadas, Guajerú, Jacaraci, Ibiassucê, Presidente Jânio Quadros e Condeúba foram definidos como prioritários, levando em conta indicadores de acesso à água e o peso da agricultura familiar na economia local. A meta é clara: elevar a renda dos produtores, refinar a gestão dos empreendimentos coletivos e pavimentar o acesso a mercados institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), sem fechar as portas para o mercado privado.
