Brasília (DF) – O caixa do setor público consolidado operou com um fôlego maior na passagem de abril. Dados oficiais indicam que o superávit primário superou a marca de R$ 24,6 bilhões, um salto expressivo frente ao mesmo período de 2023, quando o volume alcançado foi praticamente a metade desse montante.
Ao abrir os números por esferas, percebe-se que a força do movimento veio do governo central e dos entes regionais — estados e municípios —, ambos mantendo as contas no azul. Em contrapartida, o desempenho das estatais ficou no campo do vermelho, pesando contra o saldo total do mês.
Desafios fiscais e a conta dos juros
Apesar da recuperação pontual no quarto mês do ano, o cenário acumulado exige cautela. Nos últimos doze meses, o resultado fiscal aponta para um déficit de R$ 126,6 bilhões. Esse valor representa quase 1% de tudo o que o Brasil foi capaz de produzir no período, o chamado Produto Interno Bruto (PIB).
A situação muda de figura drasticamente quando incluímos os juros na conta final. Nesse critério ampliado, o buraco nas contas públicas chega a R$ 1,222 trilhão. A relação desse rombo com o PIB, no entanto, permanece em um patamar de estabilidade, sem grandes oscilações nas métricas monitoradas por especialistas.
A dívida sob pressão
O estoque da dívida bruta brasileira experimentou um novo avanço, atingindo 80,4% do PIB durante o mês de abril. Por que essa escalada persiste? O principal motor desse endividamento continua sendo a política de juros altos. Mesmo com o esforço de controle, o custo do serviço da dívida atua como uma âncora pesada sobre o orçamento público.
Houve, contudo, fatores que evitaram uma deterioração ainda mais profunda. A valorização cambial — que gerou uma desvalorização da moeda americana frente ao real — funcionou como uma espécie de válvula de escape. Somada a um ritmo de atividade econômica mais aquecido do que o previsto, esse conjunto de variáveis ajudou a mitigar o impacto total no saldo da dívida pública, segurando uma disparada que poderia ter sido mais acentuada.
Agora, o foco permanece em saber se esse fôlego observado em abril conseguirá se sustentar nos meses seguintes ou se o peso dos encargos financeiros voltará a ditar um ritmo de maior estresse para a execução do orçamento nacional. A fotografia do momento mostra um Brasil que equilibra o caixa imediato enquanto lida com uma dívida persistente.
