Brasília (DF) – O Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a Taxa Selic travada em 13,75% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade, interrompe o ciclo de cortes recentes e sinaliza um movimento defensivo do Banco Central frente a um horizonte cada vez mais incerto. O mercado, que apostava em uma redução de 0,25 ponto percentual, foi surpreendido pela postura rígida da autoridade monetária.
A justificativa para a manutenção dos juros reside no aumento das tensões externas e internas. O agravamento do conflito no Oriente Médio, somado aos efeitos do fenômeno El Niño e à instabilidade no câmbio, pressiona os preços e eleva os riscos para a inflação. O colegiado descreveu o momento atual como um cenário desafiador, que exige serenidade, especialmente diante de uma atividade econômica doméstica que apresenta sinais de desaceleração mais acentuada.
Internamente, a equipe que define os rumos da política monetária atua com lacunas. O mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, encerrou-se no fim de 2025. Até o momento, o governo não encaminhou os nomes dos substitutos ao Congresso Nacional, mantendo o comitê parcialmente desfalcado durante a tomada de decisões cruciais.
O cenário de preços, principal alvo da Selic, permanece sob monitoramento constante. O IPCA-15 de outubro registrou 0,32%, influenciado pontualmente pelo recuo nas contas de luz. Entretanto, no acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 4,62%, superando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3% com um intervalo de tolerância até 4,5%. Sob o atual regime de meta contínua, essa apuração ocorre mensalmente, exigindo vigilância ininterrupta da autoridade monetária.
As projeções de mercado também refletem esse pessimismo crescente. O boletim Focus mostra que as estimativas para a inflação oficial em 2026 subiram para 5,22%. Antes das instabilidades geopolíticas recentes, o consenso apontava para algo próximo de 3,95%. Essa revisão para cima reflete o temor de que o custo de vida permaneça acima do desejado por mais tempo do que o planejado.
A taxa básica de juros, que serve como referência para todo o sistema financeiro e títulos públicos, permanece em um patamar considerado contracionista. Embora juros mais baixos facilitem o crédito e estimulem o consumo, o Banco Central mantém a postura de segurar o excesso de demanda para evitar repiques inflacionários. Enquanto isso, o crescimento econômico segue pressionado: a previsão para o PIB de 2026 foi reduzida para 1,8% no último relatório da autoridade, enquanto analistas de mercado são ainda mais conservadores, projetando uma expansão de 1,76%. Sem dar pistas sobre os próximos passos, o Copom impõe um compasso de espera para a economia brasileira.
