Wasilla, Estados Unidos – O equilíbrio de poder em Washington, prestes a ser testado nas urnas, carrega desdobramentos diretos para o Brasil. Segundo Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da ESPM, o resultado das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos tem potencial para alterar substancialmente o fluxo das relações bilaterais entre Brasília e o governo de Donald Trump.
Caso o Partido Democrata alcance a maioria no Senado, o controle da Comissão de Relações Exteriores mudará de mãos. Essa alteração não é meramente burocrática; confere aos democratas autoridade para convocar membros da administração Trump para prestar esclarecimentos e, crucialmente, atuar como um contrapeso institucional em decisões sobre intervenções e conflitos externos. A perspectiva de uma oposição fortalecida no Legislativo coloca uma trava inédita nas movimentações globais do presidente norte-americano, um cenário que exige atenção especial do Palácio do Planalto.
O clima de tensão não é novo. O próprio Trump já questionou publicamente a legitimidade da vitória eleitoral de Lula, classificando o pleito brasileiro como fraudulento — embora nunca tenha apresentado qualquer prova que sustentasse a alegação. Somado a isso, há o imbróglio envolvendo Flávio Bolsonaro. O filho do ex-presidente, que é alvo de três inquéritos da Polícia Federal, obteve autorização da gestão republicana para permanecer em solo americano. Essa postura de hospitalidade, que rendeu críticas severas de legisladores democratas, pode ser revista se o comando do Congresso americano mudar de perfil.
Conforme aponta a análise, enquanto ajustes orçamentários ou mudanças em tarifas comerciais demandam um trâmite mais lento no Congresso, a reconfiguração da política externa tende a ser imediata. Para Trump, essa transição no Legislativo pode representar um custo político elevado.
O foco das atenções se volta para os chamados estados-pêndulo, áreas onde a fidelidade partidária é volátil e o peso do eleitorado latino torna-se o fiel da balança. Trevisan observa que, embora as pesquisas de opinião indiquem uma vantagem democrata, existe uma variável a ser considerada: a mobilização da base radical de Trump. O discurso inflamado do presidente busca tirar de casa o eleitor republicano que, em condições normais, não participaria da votação. Esse movimento de última hora, impulsionado pela retórica de confronto, pode surpreender os institutos de pesquisa e definir o destino do Senado americano nesta segunda-feira (2), selando o futuro de uma relação internacional que se encontra, agora, em um ponto crítico.
