O Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas consolidou uma categoria específica para enfrentar um problema que vitimou 1.568 mulheres em 2025: a violência de gênero. Enquanto as premiações esportivas habitualmente se concentram em números de gols e títulos, esta edição volta o olhar para o combate ao feminicídio. Bahia, Botafogo e Internacional foram anunciados nesta segunda-feira (2) como os finalistas que disputam o reconhecimento pela atuação social de seus departamentos de futebol.
O cenário que fundamenta a urgência desta categoria é alarmante. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revelam que o Brasil perdeu uma mulher a cada cinco horas e 36 minutos ao longo do último ano — um crescimento de 4,7% em relação a 2024. A maioria das vítimas é negra e está na faixa etária entre 30 e 39 anos. O ambiente doméstico continua sendo o local de maior vulnerabilidade, onde ocorrem mais de 66% dos crimes, sendo o parceiro íntimo o autor em oito de cada dez episódios.
A seleção dos finalistas ficou a cargo de um júri composto exclusivamente por mulheres, incluindo jornalistas e especialistas em igualdade de gênero, que avaliaram as ações sob uma perspectiva técnica e social. O vencedor será revelado no dia 15 de novembro, no Museu do Futebol, em São Paulo.
O Bahia construiu sua candidatura com iniciativas como a campanha “Feminicídio Zero” e o projeto “Terceiro Tempo”, que utiliza o futebol para alertar sobre o aumento de até 28,8% nas ocorrências de lesão corporal contra mulheres em dias de partidas. Já o Botafogo aposta na estrutura do Estádio Nilton Santos, pioneiro no Rio de Janeiro ao criar um posto de denúncias permanente, além de intervenções nos uniformes que trazem radiografias de vítimas e nomes de mulheres assassinadas, transformando a camisa em manifesto.
O Internacional, por sua vez, carrega uma trajetória histórica de protagonismo feminino, tendo registrado a primeira sócia do país ainda em 1918. Em 2025, o clube instalou no Beira-Rio o “Banco Vermelho”, um símbolo internacional de protesto contra o derramamento de sangue em crimes de gênero, e abriu o museu do clube para debates sobre o papel da mulher nas arquibancadas. O placar de “20 a 0” exibido no telão gaúcho durante o estadual, marcando as mortes registradas no estado até aquele momento, ilustrou a postura do clube em utilizar o estádio como plataforma de denúncia e conscientização pública.
