Brasília (DF) – A Esplanada dos Ministérios é palco, nesta segunda-feira, de um reconhecimento histórico. Onze ex-jogadoras que ajudaram a pavimentar a trajetória do futebol feminino no país participam do Desfile de 7 de Setembro em carro aberto. O tributo não apenas celebra a memória da modalidade, mas também antecipa o clima da Copa do Mundo que o Brasil sediará entre junho e julho de 2027.
Entre as convidadas, está a baiana Dilma Mendes, tricampeã mundial e técnica da Seleção Brasileira Feminina de Fut7. Sua presença carrega o peso de uma geração que enfrentou o ostracismo e a proibição legal da prática, que só caiu em 1979. Ela divide o momento com nomes que marcaram época nas décadas de 80 e 90.
O primeiro grupo de homenageadas, símbolo da profissionalização inicial, reúne as atletas que garantiram o terceiro lugar na Copa do Mundo Experimental de 1988, na China: Lucilene de Souza Marinho (Cebola), Marisa Pires Nogueira, Mariléia dos Santos (Michael Jackson), Iracema Ferreira (Rata) e Suzy Bittencourt de Oliveira. Para Marisa, capitã daquela equipe, ver o grupo reunido na Esplanada é um marco que vai além do legado individual. “Representaremos não só nossas gerações, mas o futebol feminino como um todo”, afirmou.
A década de 1990 completa a seleção de homenageadas com a presença de Miriam Soares, Lunalva Torres de Almeida (Nalvinha), Elissandra Regina Cavalcanti (Nenê), Yara Silva e a lendária Miraildes Maciel Mota, a Formiga, que carrega a marca de sete Copas do Mundo disputadas entre 1995 e 2019.
O encontro em Brasília ganha um contorno de transição entre o passado e o futuro. Ao lado dessas 11 pioneiras, 40 meninas de um projeto social do Distrito Federal acompanham o desfile. A ideia, segundo o Ministério do Esporte, é ilustrar que cada conquista futura na Copa de 2027 — que terá 64 partidas espalhadas por oito capitais — está conectada aos passos dados por essas mulheres décadas atrás.
A cerimônia deste 7 de Setembro, que começa às 9h, amplia o alcance da celebração ao integrar outros nomes do alto rendimento esportivo. Além da homenagem ao futebol feminino, o evento oficial estruturou-se em torno de temas como a soberania nacional e o enfrentamento à violência contra as mulheres, reunindo estudantes de escolas públicas que representam as 27 unidades da federação.
O Brasil, escolhido sede do mundial feminino com 119 votos em maio de 2024, terá em São Paulo o maior polo de jogos, com dez partidas. O circuito nacional contará ainda com Rio de Janeiro, Fortaleza, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Porto Alegre e Recife.
