Washington, Estados Unidos – As recentes eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, redesenharam a demografia do poder político nos Estados Unidos. O pleito, que definiu nomes para cargos estaduais e federais, foi marcado por uma série de conquistas inéditas de grupos sub-representados, quebrando barreiras históricas em diversos níveis de governo.
No Senado federal, a diversidade ganhou novos contornos. O democrata Chris Pappas, de 46 anos, conquistou uma vaga representando New Hampshire, tornando-se o primeiro homem assumidamente gay a alcançar o Senado americano. Embora o Senado já conte com a presença de Tammy Baldwin, de Wisconsin — lésbica eleita em 2012 —, a vitória de Pappas marca um novo passo para a comunidade LGBTQIA+. No mesmo campo, o epidemiologista Abdul El-Sayed, de 42 anos, filho de imigrantes egípcios, tornou-se o primeiro muçulmano eleito para a Câmara Alta, representando Michigan. Em Nova York, a ativista Aber Kawas, filha de refugiados palestinos, assegurou um assento no Senado estadual, sendo a primeira mulher a usar hijab a ocupar tal posição no legislativo nova-iorquino.
A representatividade indígena também atingiu patamares inéditos. Deb Haaland, de 65 anos e membro da comunidade Laguna Pueblo, foi eleita governadora do Novo México, cargo que assume em janeiro de 2027. Sua trajetória é marcada pela passagem como secretária do Departamento do Interior no governo de Joe Biden, onde geriu terras e recursos naturais federais. Minnesota também fez história ao eleger Peggy Flanagan, do povo Ojibwe, como a primeira mulher indígena a chegar ao Senado dos Estados Unidos. Somando-se a essas vitórias, Claire Valdez, de 37 anos, tornou-se a primeira representante indígena de Nova York na Câmara dos Representantes.
O cenário para políticos negros foi igualmente transformador. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms foi eleita governadora, sendo a primeira mulher negra a comandar o estado. Já na Flórida, o republicano Byron Donalds consolidou uma marca inédita ao ser o primeiro homem negro eleito governador pelo seu partido. A importância desse feito ganha peso pelo contraste histórico: o estado da Louisiana, palco da narrativa real de Doze Anos de Escravidão, viu em seu passado um cenário onde a representação negra era inexistente. David Crowley, em Wisconsin, e Juliana Stratton, em Illinois, completam a lista de pioneiros em cargos executivos e legislativos de destaque.
As mulheres também avançaram no comando de estados, com Amy Acton, no Ohio, Amy Klobuchar, em Minnesota, e Marsha Blackburn, no Tennessee, assumindo o Executivo. A demografia latina teve seu espaço com Gina Hinojosa, a primeira mulher dessa origem a governar o Texas, rompendo um domínio republicano que durava desde 1995. Na Califórnia, Xavier Becerra, de 68 anos, tornou-se o primeiro latino eleito diretamente para o governo do estado, superando um hiato de mais de 150 anos desde que Romualdo Pacheco ocupou o cargo após uma sucessão.
