Brasília (DF) – O cenário das eleições brasileiras recebe, desde os últimos dias, a presença de especialistas de sete organizações estrangeiras. A chegada dessas delegações marca o início de um monitoramento independente focado na integridade operacional, no respeito às normas vigentes e na eficiência de todo o rito eleitoral, que culmina com a votação e a apuração deste domingo, dia 4.
A maior força-tarefa em solo nacional pertence à Organização dos Estados Americanos (OEA). Com 91 integrantes provenientes de 23 nações, a missão tem sob seu comando o ex-ministro chileno José Miguel Insulza. O grupo concentra suas atenções em 20 estados e no Distrito Federal, avaliando pontos que vão do financiamento de campanhas e uso de tecnologia até o impacto da comunicação digital. A agenda incluiu uma reunião com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, além de diálogos técnicos com representantes da campanha do senador Flávio Bolsonaro.
Também integra esse esforço de transparência a missão do Parlamento do Mercosul (Parlasul), que desembarcou em território brasileiro no dia 29 de setembro sob a liderança do parlamentar argentino Raul Bittel. Com um perfil técnico e não intervencionista, a equipe manteve encontros com consultores do Senado e com Celso Amorim, chefe da Assessoria Especial da Presidência da República. A premissa do grupo, segundo seus próprios representantes, é o respeito absoluto à soberania nacional e à legislação vigente, cujos dados colhidos servirão de base para um relatório com recomendações de boas práticas.
Outra presença confirmada é a do The Carter Center, fundado pelo ex-presidente norte-americano Jimmy Carter. Com uma equipe reduzida de cinco especialistas de Portugal, Alemanha e Estados Unidos, chefiada pela consultora Jennie Lincoln, o foco está na educação do eleitor, nos marcos jurídicos e na segurança tecnológica. Lincoln defende que o rigor do acompanhamento pode auxiliar o Brasil a avaliar a integridade de seu pleito, dado o peso geopolítico da votação para todo o hemisfério.
Além dessas entidades, o corpo de observadores é composto pelas seguintes organizações: União Europeia, Liga dos Estados Árabes (LEA), Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral dos Países de Língua Portuguesa (Roaje-CPLP), União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) e Rede Mundial de Justiça Eleitoral (RMJE).
O monitoramento não se restringe apenas a organismos estrangeiros. Instituições da sociedade civil e outros órgãos nacionais, como a Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep), o Transparência Eleitoral Brasil e a Universidade Federal da Integração Latino-Americana, também foram devidamente credenciados pelo TSE. Essas entidades seguem as mesmas normas de transparência exigidas para atuar durante a votação.
