Uma grande ofensiva contra desvios em folhas de pagamento do funcionalismo público movimentou a polícia e promotores de Justiça nesta sexta-feira (19). A apuração se concentra em contratos antigos de empréstimo consignado que teriam resultado em descontos indevidos nos vencimentos de servidores do Distrito Federal. O suposto esquema teria favorecido financeiramente empresas do setor privado, associações e servidores públicos de forma sistemática.
Por ordem do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), investigadores cumpriram 50 mandados judiciais de busca e apreensão. A ação ocorreu simultaneamente em Brasília, São Paulo e Curitiba, alcançando a sede de grandes instituições financeiras e gabinetes governamentais.
Ex-presidente de banco estatal sob nova investigação
Entre os nomes citados no inquérito está o de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. O executivo já se encontra preso desde o mês de abril, alvo da Operação Compliance Zero. Essa apuração anterior foca em supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional que teriam sido cometidos por dirigentes do Banco Master, contando com a facilitação de políticos e servidores do governo. A nova fase de buscas aponta para a atuação coordenada de associações representativas e pessoas físicas no desvio dos salários.
Na Secretaria de Economia do Distrito Federal, agentes apreenderam computadores e materiais de trabalho nas dependências do órgão. A pasta informou que os convênios de crédito sob suspeita foram celebrados em gestões anteriores. A secretaria enfatizou que a investigação apura a conduta individual de servidores públicos, descartando irregularidades na atuação institucional do órgão, que declarou cooperar de forma irrestrita com as investigações policiais e do Ministério Público.
Posicionamentos das instituições e envolvidos
O PicPay se manifestou negando taxativamente qualquer tipo de conduta irregular em suas operações de crédito. A instituição financeira esclareceu que a antecipação de valores ocorria por iniciativa direta e digital do próprio cliente, utilizando o aplicativo oficial do banco. Segundo a empresa, o processo ocorria sem a necessidade de intermediários ou a participação de associações, sem qualquer cobrança indevida. A fintech declarou ainda que atua em conformidade com as exigências dos órgãos reguladores e sob rigoroso controle de governança, mantendo-se disposta a colaborar com a apuração.
A defesa de Paulo Henrique Costa explicou que ainda não teve acesso completo ao teor das investigações e que só se manifestará publicamente após analisar os autos do processo. O BRB e os representantes legais do executivo Eduardo Chedid Simões não emitiram posicionamento sobre as buscas até o fechamento deste relato.
