O presidente afastado da empresa de transporte UPBus, Ubiratan Antônio da Cunha, e um sócio da companhia foram detidos novamente nesta segunda-feira, dia 7, em São Paulo. A decisão atende a um recurso do Ministério Público contra a liberdade provisória concedida aos investigados em janeiro deste ano, quando a Justiça havia substituído a prisão preventiva por medidas cautelares.
De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a nova ordem de prisão está ligada às investigações por lavagem de dinheiro e envolvimento com organização criminosa. Os dois executivos já haviam sido alvos da Operação Fim da Linha, deflagrada inicialmente em 2024 para apurar conexões entre empresas de ônibus da capital e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC.
Desdobramentos da operação
A investigação revelou que a UPBus era utilizada para ocultar a origem ilícita de valores provenientes de crimes como tráfico de drogas e roubos. Segundo a denúncia do Ministério Público, entre 2014 e 2024, integrantes da facção injetaram mais de 20 milhões de reais em uma cooperativa de transporte da zona leste, que posteriormente deu origem à empresa. Esse aporte financeiro foi determinante para que a companhia conseguisse participar da licitação do transporte público municipal em 2015.
Diante das evidências colhidas durante a operação, a prefeitura de São Paulo tomou medidas administrativas severas. Em fevereiro deste ano, o contrato de concessão da UPBus foi rescindido oficialmente por meio de publicação no Diário Oficial. O serviço de transporte nas linhas atendidas pela empresa foi transferido para a companhia Alfa RodoBus, encerrando a participação da investigada no sistema municipal.
Logo após a deflagração da operação, o poder público municipal já havia nomeado um interventor para assumir a operação imediata das linhas, garantindo a continuidade do serviço aos passageiros. Até o momento, a defesa dos dirigentes presos não foi localizada para comentar as novas ordens de prisão. O processo segue em tramitação sob sigilo judicial para assegurar o prosseguimento das apurações sobre o esquema de lavagem de ativos na capital paulista.
