Niterói (RJ) – A violência que chocou o distrito de Lumiar, na região serrana do Rio de Janeiro, teve seu desfecho no Tribunal do Júri de Niterói. O músico Clodoaldo Queiroz de Oliveira, conhecido artisticamente como Gustavo, da dupla sertaneja Tony e Gustavo, foi condenado a 28 anos de reclusão pelo assassinato de sua esposa, Karen Mancini, analista do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
O crime, ocorrido em abril de 2024, interrompeu de forma brutal a vida de Karen, que na época tinha 39 anos. A brutalidade do ataque ficou registrada no laudo da necropsia: a vítima sofreu 114 golpes espalhados pelo corpo, o que resultou em hemorragia severa e traumatismo cranioencefálico, causa direta de sua morte.
Detalhes da condenação no tribunal
O Conselho de Sentença acolheu as qualificadoras apresentadas pela acusação, definindo o crime como homicídio triplamente qualificado, o que inclui o feminicídio. Na sentença, a juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce chamou atenção para a audácia e a frieza do réu ao cometer o assassinato no interior da residência onde ambos conviviam. Conforme apontado na decisão judicial, Karen não teve qualquer oportunidade de se defender das agressões físicas que sofreu.
A magistrada destacou que a ação criminosa foi impulsionada por uma motivação fútil, originada em um desentendimento conjugal. A quantidade massiva de agressões físicas direcionadas contra a vítima — concentradas majoritariamente na área da cabeça — evidenciou, segundo os termos da condenação, um desprezo absoluto pela vida humana e um sofrimento desnecessário imposto à analista.
A constatação de sofrimento cruel
Outro elemento de peso no julgamento foi a avaliação técnica do perito responsável pelos exames necroscópicos. O especialista atestou que a multiplicidade de ferimentos causados pelo agressor equivale à prática de tortura, caracterizada pelo intenso sofrimento infringido antes do óbito. Além das agressões físicas severas, pesou contra o músico o fato de não ter prestado nenhum tipo de socorro ou assistência à companheira caída.
Clodoaldo iniciará o cumprimento da pena privativa de liberdade em regime inicialmente fechado, conforme determinou a magistrada ao fixar a sentença de 28 anos, encerrando o trâmite do caso em primeira instância e definindo a responsabilização legal pelo crime que abalou a comunidade de Nova Friburgo.
