Rio de Janeiro (RJ) – A tentativa de reeleição do deputado estadual Roosevelt Barreto Barcelos, amplamente conhecido como Val Ceasa (PRD), sofreu um revés definitivo na sessão de terça-feira, 1º de outubro. Por unanimidade, os magistrados do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro decidiram barrar o registro da candidatura do parlamentar. A decisão atende a uma contestação formalizada pela Procuradoria Regional Eleitoral, fundamentada em indícios que apontam para uma suposta ligação de Val Ceasa com integrantes do Terceiro Comando Puro, uma das principais facções criminosas atuantes no estado.
O julgamento focou estritamente nos critérios de elegibilidade exigidos para a disputa das eleições, sem que isso represente uma sentença penal ou condenação na esfera criminal. Para os integrantes da Corte fluminense, o conjunto de provas anexado ao processo revelou-se robusto o suficiente para impedir que o deputado siga na disputa eleitoral deste ano. O entendimento unânime reflete o esforço de blindagem do pleito contra forças externas que possam comprometer a lisura das urnas.
Investigação partidária sob análise
Junto ao indeferimento do registro de Val Ceasa, o tribunal fluminense adotou uma medida que estende os desdobramentos do caso para a conduta partidária. O colegiado determinou o envio das peças do processo à Procuradoria Regional Eleitoral para que se apure uma eventual responsabilidade do Partido Renovação Democrática. A investigação deve avaliar as circunstâncias em que a legenda registrou a candidatura, considerando que o pedido foi oficializado após a retirada do sigilo que protegia as investigações policiais. Contudo, essa apuração ocorrerá de forma autônoma e não acarreta punição automática ao partido.
Durante a sessão de julgamento, o presidente da Corte eleitoral fluminense, desembargador Cláudio de Mello Tavares, aproveitou o espaço para mandar um recado claro sobre o papel protetor das instituições. Tavares defendeu a necessidade de uma atuação preventiva por parte da Justiça Eleitoral para evitar que organizações criminosas exerçam influência sobre o processo eleitoral e alcancem o poder político. O magistrado também ressaltou que as siglas partidárias carregam uma imensa responsabilidade perante a sociedade civil na escolha e triagem de seus candidatos.
Defesa promete recorrer em Brasília
Do outro lado, a reação do deputado foi de imediata contestação à medida tomada pela Justiça. Val Ceasa manifestou profunda indignação com o resultado do julgamento, reiterando sua integridade pessoal e assegurando que provará sua inocência nos tribunais. “Recebi a notícia com indignação porque sou uma pessoa íntegra e nunca me envolvi em coisas erradas e vou provar na Justiça”, declarou o parlamentar. A equipe de advogados que representa a defesa de Val Ceasa confirmou que vai recorrer da cassação junto ao Tribunal Superior Eleitoral na tentativa de reverter a decisão.
