Brasília (DF) – A comunicação entre as lideranças de facções criminosas encarceradas e seus comparsas nas ruas sofreu um novo estrangulamento. Durante um esforço concentrado de cinco dias, realizado entre 21 e 25 de setembro, agentes de segurança realizaram uma varredura minuciosa em 3.604 celas espalhadas por 107 unidades prisionais brasileiras. Ao final do mutirão, batizado de Operação Mute, os policiais conseguiram localizar e apreender quase 600 aparelhos celulares que estavam em posse dos detentos.
A Secretaria Nacional de Políticas Penais, que integra a estrutura do Ministério da Justiça e Segurança Pública, planejou e coordenou toda a mobilização nacional. O objetivo central do trabalho é asfixiar a capacidade de articulação das quadrilhas, impedindo que ordens de ataques, execuções e transações financeiras ilícitas continuem a partir do interior das galerias. Os presídios selecionados para esta fase da investida abrigam, juntos, uma população estimada em 88 mil detentos que cumprem pena em diferentes regiões do país.
Os números acumulados desde o início do projeto dão a dimensão do desafio enfrentado pelo sistema penitenciário nacional. Desde maio deste ano, quando a operação permanente foi estruturada, as vistorias confiscaram um total de 3.045 telefones celulares em 419 estabelecimentos prisionais. No entanto, o recolhimento constante dos eletrônicos revela também a vulnerabilidade das fronteiras físicas das penitenciárias.
O fenômeno da reentrada de eletrônicos obriga as equipes a retornarem diversas vezes aos mesmos locais. Várias das unidades que registraram apreensões em setembro já haviam passado por limpezas anteriores. Para quebrar esse ciclo de reposição permanente dos estoques de telefones nas celas, o Ministério da Justiça busca reforçar os mecanismos de barreira, investindo na compra e instalação de aparelhos de raio-x de última geração e escâneres corporais mais precisos.
A pasta federal também direciona esforços para o fortalecimento das corregedorias internas e para a capacitação continuada dos agentes penais, reduzindo as brechas para a corrupção e falhas operacionais. Paralelamente, o crime organizado adota táticas aéreas para vencer as muralhas. No final de setembro, no Mato Grosso do Sul, policiais flagraram e apreenderam três drones que tentavam descer com carregamentos de aparelhos nos pátios de uma unidade local. Naquele mesmo estado, as forças de segurança já interceptaram 11 desses aparelhos voadores desde o início de agosto, evidenciando que a vigilância precisa olhar constantemente para o céu.
