Apenas quarenta e oito horas depois de publicar um vídeo em suas redes sociais assegurando que jamais deixaria o país e que entregaria seus documentos à Justiça, o senador e candidato derrotado à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, desembarcou em solo americano. O pouso em Miami, na Flórida, ocorreu exatamente às 10h24 da manhã desta quarta-feira (28), confirmando o descumprimento deliberado da ordem emitida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que havia determinado a entrega imediata de seu passaporte ainda na segunda-feira.
Para concretizar a saída do território nacional sem ser interceptado, o parlamentar estruturou uma logística que envolveu diferentes modalidades de transporte e escalas estratégicas em países vizinhos. As autoridades da Argentina confirmaram oficialmente que o senador, acompanhado de sua esposa e de suas duas filhas, entrou no país vizinho pela fronteira terrestre na noite de terça-feira. Imediatamente após a travessia, a família seguiu para um aeródromo local e embarcou em um jato particular com destino ao Equador.
A aeronave executiva fez uma breve escala técnica na cidade de Guayaquil antes de retomar a rota rumo ao norte do continente. Todo o trajeto do avião privado foi acompanhado em tempo real e registrado pelos radares da plataforma de monitoramento aéreo FlightAware, que atestou a decolagem no território equatoriano e a posterior chegada ao destino nos Estados Unidos.
A presença de Flávio Bolsonaro em solo americano já repercute nos bastidores políticos de Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou-se ainda nesta quarta-feira afirmando que daria autorização para a entrada do senador em território norte-americano, embora tenha alegado no mesmo pronunciamento que não sabia exatamente onde o brasileiro se encontrava. Ao mesmo tempo, o Departamento de Estado americano deve emitir os vistos formais para garantir a permanência legal do parlamentar, de sua esposa e de suas duas filhas no país.
Do lado brasileiro, o desfecho da viagem não provocou, de imediato, medidas de força por parte do Poder Judiciário. O STF decidiu descartar, ao menos por ora, a realização de qualquer operação policial de busca e apreensão ou a execução de ordens judiciais direcionadas a endereços ligados ao senador, optando por não acionar forças policiais para interceptações ou mandados no momento atual.
