Rio de Janeiro (RJ) – O amanhecer desta sexta-feira (6) foi marcado por uma mobilização ostensiva na comunidade Jardim Novo, em Realengo. Ao menos sete suspeitos foram detidos durante a segunda etapa da Operação Sinal Oculto, uma ofensiva que reuniu as polícias Civil e Militar com o respaldo de veículos blindados. O efetivo de 360 agentes tinha como foco principal desmontar uma estrutura criminosa voltada ao roubo, clonagem e comercialização ilícita de automóveis.
A investigação ganhou tração após a descoberta de perfis em redes sociais que anunciavam veículos de luxo por valores distantes da realidade do mercado. O que, à primeira vista, configurava apenas um esquema de revenda de carros adulterados, revelou-se um grupo de alta complexidade. A organização operava com divisão rígida de tarefas, controle de fluxo financeiro e indícios de conexão com o mercado clandestino de armamento.
O modus operandi consistia no recebimento de veículos roubados, cujos sinais identificadores eram sistematicamente alterados. Para conferir uma aura de legalidade aos bens, os criminosos utilizavam dados de automóveis regulares, mascarando a procedência ilícita antes de inseri-los novamente no ambiente digital. Havia, inclusive, a prática de encomendas específicas, o que, para os investigadores, ajuda a compreender a recorrência de determinados modelos entre os registros de roubo da região.
O histórico do grupo é marcado pela violência. Em agosto, durante a primeira fase da operação, a investida policial foi recebida a tiros. Um agente da Polícia Civil foi atingido no rosto, sofrendo ferimentos graves. A prisão de um dos articuladores do esquema, na época, não encerrou as apurações; pelo contrário, permitiu que os investigadores mergulhassem em um volume massivo de evidências digitais.
A análise de quase 20 mil mensagens e dois mil áudios forneceu subsídios para ampliar as suspeitas contra a quadrilha. Além do setor automobilístico, as provas indicam um possível envolvimento dos detidos na negociação de armamentos de grosso calibre, incluindo fuzis AK-47, armas de calibre ponto cinquenta e pistolas de uso restrito. O cerco montado nesta sexta-feira representa uma tentativa de estancar a atuação dessa organização em múltiplas frentes criminosas.
