Barra do Corda (MA) – A circulação de conteúdos em áudio com ameaças diretas de prisão e perseguição contra apoiadores do PT provocou o afastamento do secretário de Segurança Pública de Barra do Corda, o sargento da Polícia Militar Antonio James Mota da Silva. A exoneração temporária do gestor foi oficializada pelo prefeito Rigo Alberto Teles de Sousa em portaria publicada na quinta-feira (22), fixando a validade do ato até o encerramento do período eleitoral.
O desdobramento na esfera municipal foi acompanhado por sanções na esfera estadual. O governador reeleito do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), também determinou o afastamento imediato do militar de suas funções na corporação da Polícia Militar do Estado do Maranhão — instituição à qual pertence o servidor cedido ao município —, além de ordenar a abertura formal de um procedimento de investigação para apurar a conduta do agente público.
Gravações em grupo de aplicativo
A crise teve origem em mensagens gravadas enviadas pelo próprio sargento em um grupo restrito de comunicação instantânea no aplicativo WhatsApp, composto exclusivamente por policiais militares. Nas gravações compartilhadas na plataforma, o ex-secretário mencionava abertamente a adoção de medidas coercitivas e retaliações voltadas a eleitores de orientação petista.
Em manifestação pública, Antonio James Mota da Silva confirmou a autoria dos arquivos de áudio divulgados nas redes digitais. O militar sustentou, contudo, que as falas constituíam apenas brincadeiras, comentários informais e provocações rotineiras de cunho político entre colegas de farda. Durante a explicação, o sargento admitiu ter utilizado termos contundentes no debate, citando expressamente o emprego da palavra “ladrões” no calor das discussões travadas no ambiente virtual.
Ações na Procuradoria e na Polícia Federal
A repercussão do episódio motivou reações jurídicas imediatas na sexta-feira (23). A coligação Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PCdoB e PV — protocolou uma notícia-crime eleitoral perante a Procuradoria Regional Eleitoral. A representação partidária exige a instauração urgente de apuração criminal, a execução de perícia técnica detalhada no material fonográfico, a oitiva presencial do investigado e a decretação de medidas cautelares preventivas antes da realização do segundo turno, marcado para o domingo (25).
Paralelamente às cobranças da coligação, o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) formalizou a remessa do caso à Polícia Federal. A corporação federal ficou encarregada de conduzir os inquéritos necessários para identificar possíveis infrações eleitorais ou delituosas associadas à disseminação das gravações no ambiente público.
Em termos operacionais, o Poder Executivo de Barra do Corda registrou na portaria de afastamento que adotará todas as providências administrativas requeridas para assegurar a continuidade dos serviços essenciais e o funcionamento regular da Secretaria Municipal de Segurança Pública ao longo do período de vacância do titular.
