Rio de Janeiro (RJ) – O Rio de Janeiro foi palco de grandes mobilizações populares na tarde deste domingo (18), quando milhares de pessoas ocuparam a orla de Copacabana em um evento musical e político favorável à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e em defesa da democracia.
Convocado pelo cantor Caetano Veloso, o encontro na zona sul reuniu nomes de peso da música brasileira, como Djavan, Duda Beat e Marina Sena. No palco montado à beira-mar, Caetano recordou sua própria trajetória durante a ditadura militar, período em que chegou a ser preso ao lado de Gilberto Gil e de outros músicos. O artista enfatizou que a presença da classe artística na praia tinha como objetivo central erguer uma barreira contra novas ameaças autoritárias no país.
Outras vozes do meio cultural também se manifestaram durante a apresentação. Djavan chamou a atenção para a necessidade de resguardar a soberania brasileira de ingerências externas. Já a atriz Leticia Sabatella estabeleceu um contraste direto entre os projetos em disputa, alertando sobre os riscos de uma candidatura que elogia torturadores e carece de propostas de Estado, em oposição a um programa focado na garantia de políticas sociais históricas. Entusiasmada com a presença do público, Duda Beat celebrou a união popular como a principal resposta nas ruas.
A juventude esteve representada por lideranças estudantis durante o ato. Diretor de Comunicação da União Nacional dos Estudantes (UNE), Alejandro Guerrero viajou do Rio Grande do Sul para participar da mobilização. Segundo ele, o país enfrenta uma encruzilhada histórica marcada por dois caminhos antagônicos: de um lado, a soberania e a democracia; do outro, o fascismo e a entrega de riquezas aos Estados Unidos.
Mobilização no centro da cidade
As demonstrações de apoio começaram ainda no período da manhã. Na Praça da Candelária, região central da capital fluminense, uma caminhada organizada por estudantes e trabalhadores já havia reunido milhares de pessoas sob as mesmas pautas.
Entre os manifestantes na Candelária estava o casal formado por Bráulio Martins, de 33 anos, e Laura Guimarães, de 27. Acompanhada do filho Ícaro, de 5 anos, Laura usava adereços com referências aos programas sociais. Ela relatou que encontrou no Bolsa Família o amparo necessário para sustentar a criança e abrir a própria clínica de estética após a morte da mãe, em 2021. Para a esteticista, estar na rua representa a luta por um futuro mais seguro para a próxima geração.
A precarização do ensino público também foi relatada por universitários presentes. A aluna de artes visuais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Andressa da Paz, de 24 anos, relembrou a situação enfrentada no campus da Ilha do Fundão sob a gestão de Jair Bolsonaro, citando a escassez de itens básicos, cortes de energia e falta de ventiladores nas salas. A estudante declarou manter a expectativa de uma vitória de Lula nas urnas no dia 25 de outubro.
