A contagem de votos do primeiro turno mal havia terminado em outubro de 2026 quando um auditório lotado na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, transbordou para as avenidas. O que seria uma reunião interna de campus virou o estopim de uma onda de protestos que rapidamente tomou as capitais do país, culminando em atos massivos na Candelária, no Rio de Janeiro, em 7 de outubro, e no Museu da República, em Brasília, seis dias depois.
Tradição de resistência nas ruas
À frente dessa reaparição do movimento estudantil na cena política está Bianca Borges, paulista de 25 anos eleita para presidir a União Nacional dos Estudantes no biênio 2025–2027. Estudante de Letras no Instituto Federal de São Paulo e formada em Direito pela USP, a dirigente enxerga na atual mobilização um eco direto da Passeata dos 100 Mil de 1968 e das campanhas históricas contra a ditadura militar, o impeachment de Fernando Collor e a gestão de Jair Bolsonaro. Para ela, o segundo turno presidencial coloca em jogo não apenas nomes na urna, mas a sustentabilidade das instituições públicas.
Riscos apontados e propostas em debate
A principal preocupação da entidade recai sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro, cuja plataforma prevê transferir a gestão das universidades federais do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A entidade avalia que a medida visa subordinar o ensino público exclusivamente aos interesses de mercado, além de ameaçar a assistência aos alunos de baixa renda em meio a um subfinanciamento que se arrasta há uma década. Relatos de ameaças virtuais e incêndios suspeitos em instituições como a Universidade Federal de Pernambuco reforçam o alerta dos estudantes contra o avanço de métodos autoritários.
O candidato do PL, por sua vez, afirma em seu programa que manterá o piso constitucional da área e defende reestruturar o ensino técnico, expandir colégios cívico-militares e aproximar salas de aula de empresas. Recentemente, a campanha do postulante tentou barrar publicações de 54 lideranças sociais e estudantis nas redes, mas o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral, negou o pedido.
Apoio crítico e pautas de permanência
Na avaliação da UNE, a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva representa o único caminho viável para manter canais abertos de negociação e assegurar avanços estruturais. Entre as reivindicações prioritárias estão a consolidação do Plano Nacional de Assistência Estudantil, o investimento de 10% do Produto Interno Bruto em educação, repasses federais para universidades estaduais e pautas trabalhistas como o fim da escala 6×1. Seja qual for o resultado das urnas em 25 de outubro, a liderança garante que a organização dos jovens continuará ativa nos centros acadêmicos e grêmios do país.
