São Paulo (SP) – A corrida pela Presidência da República ganhou um novo contorno nesta segunda-feira (3) com a oficialização da candidatura de Augusto Cury pelo Avante. O anúncio, que reposiciona a legenda no tabuleiro eleitoral, ocorreu durante a convenção nacional do partido, realizada nas dependências da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Apesar da definição do cabeça de chapa, a legenda optou por adiar a escolha do nome que ocupará a vaga de candidato a vice-presidente, mantendo essa articulação em aberto.
Diante de uma plateia composta por filiados e dirigentes partidários, o psiquiatra e escritor utilizou seu espaço de fala para apresentar uma proposta de reforma estrutural no funcionamento do Poder Executivo brasileiro. Cury argumentou a favor de uma mudança profunda no sistema de governo e colocou a adoção do semipresidencialismo como uma de suas principais metas de gestão caso seja eleito. A tese defendida pelo candidato prevê uma divisão clara de atribuições no topo do poder.
Pelo modelo sugerido pelo candidato do Avante, a figura do presidente da República deixaria de centralizar todas as decisões administrativas cotidianas para focar estritamente em funções de caráter estratégico. A condução prática da máquina pública e a gestão direta das ações governamentais ficariam sob a responsabilidade de um primeiro-ministro. Essa descentralização, segundo Cury, permitiria uma condução mais equilibrada e focada das políticas de Estado, separando a articulação política de longo prazo da gestão administrativa do dia a dia.
A definição da candidatura própria ocorre após tentativas frustradas de composição política nos bastidores. Durante o evento na Alesp, Cury revelou que as tratativas para uma eventual composição de chapa com Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência da República, não prosperaram. O diálogo entre as duas forças políticas, que vinha sendo monitorado por analistas, acabou travando. O candidato do Avante foi categórico ao afirmar que a chance de uma coligação ou aliança formal entre as duas legendas para este pleito está praticamente descartada.
A decisão do Avante de lançar Cury de forma isolada reflete a pressão do tempo imposta pela Justiça Eleitoral. O partido faz parte do grupo de legendas que deixaram para definir suas diretrizes de campanha na reta final do prazo legal. As convenções partidárias, período em que as siglas têm autonomia para deliberar sobre coligações e escolher seus representantes nas urnas, terminam oficialmente na próxima quarta-feira (5).
Após a definição em convenção, os partidos e coligações entram em uma nova fase burocrática e decisiva. O prazo final para que todas as candidaturas sejam devidamente protocoladas e registradas perante a Justiça Eleitoral se encerra no dia 15 de agosto. Até lá, o Avante precisará correr contra o tempo para preencher a vaga em aberto de vice na chapa de Cury e consolidar sua estrutura de campanha para enfrentar os demais concorrentes na disputa pelo comando do país.
