Washington, Estados Unidos – O presidente Donald Trump garantiu nesta quinta-feira (1º) que monitora com atenção o cenário eleitoral brasileiro, que chega ao primeiro turno em apenas três dias. O comentário foi feito diante de repórteres durante sua saída da Casa Branca, momentos antes de embarcar para o Texas. O republicano classificou o Brasil como um país de grande relevância, teceu elogios ao povo brasileiro, mas manteve um silêncio estratégico sobre qualquer candidato.
Ao evitar o apoio explícito, Trump distanciou-se da postura adotada em disputas anteriores, como o processo eleitoral na Colômbia. O posicionamento ocorre em um momento de atrito diplomático entre Brasília e Washington, elevando a temperatura de debates sobre uma suposta interferência estrangeira no funcionamento das urnas nacionais.
A preocupação com movimentos de bastidores ganhou corpo em setembro, quando a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) divulgou um relatório classificando a possível influência norte-americana como um item de criticidade elevada para o pleito de 2026. Segundo a análise da inteligência nacional, a estratégia dos Estados Unidos estaria ancorada na reafirmação de sua hegemonia na América Latina, visando conter a presença de rivais diretos, como a China, em setores estratégicos de infraestrutura e exploração de recursos naturais.
O documento da Abin sinaliza que a ofensiva diplomática e econômica dos Estados Unidos sobre o Brasil não é recente, mas ganhou tração nos últimos meses. As tensões entre os dois governos ficaram evidentes em julho, quando o Itamaraty negou vistos a dois representantes do Departamento de Estado norte-americano. Eles pretendiam reunir-se com autoridades do sistema eleitoral brasileiro sob o pretexto de discutir liberdade de expressão, em um contexto marcado por ataques recorrentes à segurança das urnas eletrônicas por parte de lideranças políticas locais.
O ambiente de desconfiança é agravado por alertas de analistas sobre vulnerabilidades cibernéticas. O papel das grandes plataformas digitais, muitas vezes sob influência de regulações e interesses transnacionais, é apontado como um fator de risco capaz de alterar o curso da percepção pública durante o processo de votação. Enquanto a corrida eleitoral atinge sua reta final, a cautela de Washington não parece arrefecer os debates internos sobre soberania e os limites da atuação externa em território brasileiro.
