O senador Flávio Bolsonaro (PL) oficializou sua saída do país nesta quarta-feira (28), ao desembarcar em Miami na companhia da esposa e das duas filhas. A movimentação encerra um período de incertezas sobre o paradeiro do parlamentar, que cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu, na noite de terça-feira (27), às 22h50. De Puerto Iguazú, na Argentina, a família seguiu em voo privado com destino ao Equador antes de chegar ao território estadunidense.
Em um comunicado divulgado logo após sua chegada, Flávio expressou gratidão pública aos presidentes Donald Trump e Javier Milei pelo suporte logístico para a evasão. O documento, que chegou a ser editado trinta minutos após a primeira versão — substituindo a autodeclaração de “verdadeiro presidente eleito” pelo termo “líder do Brasil” —, questiona a legitimidade do pleito vencido por Luiz Inácio Lula da Silva. O petista alcançou 64 milhões de votos contra 59 milhões do senador, em um processo auditado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e reconhecido por diversos países e pela Organização dos Estados Americanos (OEA).
Um dos pontos mais polêmicos da carta é a crítica à decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que atendeu a um pedido conjunto das campanhas do PL e do PT para prorrogar o horário de votação até as 19h. O senador alega, sem apresentar evidências, que a medida visou fraudar a escolha popular, ignorando que o intervalo estendido computou apenas 34.393 votos num universo de 158,7 milhões de eleitores aptos.
A saída de Flávio ocorre sob o peso de ordens judiciais emitidas pelo ministro Alexandre de Moraes, que havia determinado a retenção de seus passaportes a pedido da Polícia Federal. As investigações apuram suspeitas de lavagem de dinheiro em plataformas de apostas — envolvendo o advogado Willer Tomaz — e irregularidades no financiamento do filme sobre a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
O texto do senador ainda apresentou um anacronismo curioso ao utilizar um brasão oficial com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, nomenclatura abolida em 1967. O parlamentar justificou a permanência no exterior como uma estratégia política: ele afirma que, a partir dos Estados Unidos, terá liberdade para liderar a oposição sem sofrer as restrições impostas aos colegas que permaneceram no Congresso nacional.
Enquanto o senador se estabelece em solo americano, a recepção de sua chegada gerou fricções políticas em Washington. O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos EUA, controlado pelos democratas, criticou duramente a gestão de Donald Trump pela concessão de visto à família. Em comunicado, o órgão questionou a política migratória atual, contrastando o rigor aplicado a refugiados do Sudão e do Haiti com o que chamaram de “tapete vermelho” estendido ao político brasileiro.
