Washington, Estados Unidos – O cenário político internacional registrou, nesta quarta-feira (28), uma declaração de Donald Trump sobre a recente movimentação de Flávio Bolsonaro (PL). Confrontado pela imprensa, o ex-presidente norte-americano adotou uma postura de cautela, garantindo que não pretende intervir ou tecer análises específicas sobre a carta tornada pública pelo senador brasileiro. O documento em questão gerou repercussão imediata ao trazer, em sua redação original, a autoproclamação do parlamentar como o “verdadeiro presidente eleito do país”.
Apesar de recusar o envolvimento com as declarações políticas de Flávio, Trump confirmou que a autorização para a entrada dele e de seus familiares em território estadunidense foi concedida. O ex-mandatário aproveitou o espaço para questionar, mais uma vez, a lisura das eleições brasileiras, embora não tenha apresentado qualquer evidência concreta que sustente suas dúvidas sobre o processo democrático nacional.
A controvérsia ganhou tração quando o senador, que deixou o Brasil em direção aos Estados Unidos, publicou o texto em agradecimento pelo apoio logístico recebido de líderes internacionais. Além de Trump, o presidente da Argentina, Javier Milei, foi citado nominalmente na missiva. A primeira versão do documento causou estranheza pela escolha terminológica; cerca de trinta minutos após a divulgação inicial, o termo “verdadeiro presidente eleito do país” foi substituído por “líder do Brasil”.
O teor do texto enviado pelo senador reforça o discurso de desconfiança sem provas sobre o funcionamento do sistema eleitoral. Entre os pontos mencionados, Flávio Bolsonaro dedica críticas severas à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, que autorizou a extensão do horário de votação até as 19h no dia do pleito. A medida, vale lembrar, foi tomada após uma solicitação conjunta apresentada pelas campanhas tanto do PL quanto do PT. “Não vou fazer comentário sobre isso, mas eu sei que demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas eu não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”, afirmou Trump ao ser pressionado por jornalistas.
A tentativa de imprimir uma narrativa de fraude no sistema de votação, utilizando o palco diplomático e o suporte de figuras aliadas no exterior, permanece como uma estratégia central para o grupo político do senador. Contudo, ao ser colocado contra a parede sobre o conteúdo específico da carta, o próprio Donald Trump optou por demarcar uma zona de isolamento, evitando que seu nome ficasse diretamente vinculado à afirmação de que Flávio seria, de fato, o presidente eleito.
