O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta sexta-feira, dia 15, o início de uma investigação preliminar para verificar o repasse de emendas parlamentares a organizações não governamentais vinculadas à produtora do filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O processo corre sob sigilo na Corte.
A origem da denúncia
A apuração atende a solicitações feitas pela deputada Tabata Amaral e pelo deputado Pastor Henrique Vieira. Os parlamentares questionam a legalidade do uso de verbas públicas, apontando um possível desvio de finalidade. Segundo a denúncia, os recursos foram direcionados aos deputados Marcos Pollon, Mário Frias e Bia Kicis para o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura.
Essas entidades integram um grupo ligado à Go Up Entertainment, a produtora responsável por Dark Horse, cinebiografia ainda inédita sobre o ex-presidente. Diante das suspeitas, o ministro Flávio Dino, relator do caso, ordenou a notificação dos parlamentares envolvidos para que apresentem explicações sobre a destinação do dinheiro público.
Desdobramentos e notificações
Enquanto Bia Kicis e Marcos Pollon negaram o envio direto de recursos para a produtora, o deputado Mário Frias ainda não prestou esclarecimentos por não ter sido localizado pelo oficial de Justiça. O parlamentar destinou dois milhões de reais ao Instituto Conhecer Brasil entre 2024 e 2025. O ministro determinou que a Câmara dos Deputados forneça os endereços residenciais de Frias em Brasília e São Paulo para viabilizar a notificação.
Contexto paralelo
O caso ganha novos contornos após reportagem do site The Intercept revelar conversas do senador Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro. Nas mensagens, trocadas em novembro do ano passado, o senador solicita apoio financeiro para as gravações da mesma produção cinematográfica. Flávio Bolsonaro admitiu o contato, mas negou qualquer irregularidade, afirmando que a captação de recursos para o filme tratava-se de uma negociação privada.
