Brasília (DF) – O domingo eleitoral será marcado por uma presença ostensiva das Forças Armadas em 345 cidades espalhadas pelo país. Um contingente de 25 mil homens e mulheres da Marinha, do Exército e da Aeronáutica foi mobilizado para assegurar que a votação e a apuração ocorram sem sobressaltos, em uma operação que combina logística pesada com o policiamento direto em seções eleitorais.
A atuação dos militares se divide em duas frentes principais. Em 306 municípios, localizados em 11 estados, o foco recai sobre a Garantia da Votação e da Apuração (GVA). O objetivo é claro: preservar a ordem pública e garantir que o eleitor exerça o direito ao voto com tranquilidade. Já em outras 39 localidades, espalhadas por oito unidades da federação, o apoio será estritamente logístico, com foco em regiões de difícil acesso onde a infraestrutura local não seria suficiente para realizar o pleito sem ajuda externa.
Transportar urnas eletrônicas e técnicos da Justiça Eleitoral por rios amazônicos, trilhas rurais ou terrenos acidentados exige uma frota diversificada. O Ministério da Defesa confirmou que serão utilizadas aeronaves, helicópteros, embarcações e viaturas militares para alcançar comunidades isoladas, incluindo territórios indígenas e ribeirinhos que compõem o mapa de desafios logísticos desta eleição.
Todo o esquema foi desenhado a partir de solicitações formais dos tribunais eleitorais, passando por uma autorização da Presidência da República. A complexidade da missão exige uma engrenagem que coloca a Justiça Eleitoral e as pastas de segurança pública em sincronia com os comandos militares. A espinha dorsal da operação funciona a partir de Brasília, onde o Centro de Operações Conjuntas centraliza o fluxo de informações.
No campo, a execução fica sob responsabilidade dos comandos regionais: Amazônia, Amazônia Oriental, Nordeste, Planalto, Oeste e Leste. O Comando de Operações Aeroespaciais também terá papel central, gerindo a malha aérea necessária para que equipamentos cheguem aos destinos antes da abertura das urnas. A integração entre esses órgãos não é apenas burocrática, mas uma necessidade operacional para manter a fluidez de um processo que, na escala brasileira, depende de precisão logística milimétrica.
A presença dos militares termina apenas após a conclusão da apuração, funcionando como um pilar de sustentação para a normalidade do pleito. Para o eleitor nas áreas remotas, o comboio de fardados que chega horas antes do início da votação é, na prática, a materialização da viabilidade técnica da democracia.
