Brasília (DF) – O destino de uma pesquisa eleitoral que apontou declínio nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está nas mãos dos sete integrantes do Tribunal Superior Eleitoral. A Corte se reúne nesta terça-feira, às 19h, para decidir se valida ou derruba a decisão monocrática do ministro Nunes Marques, que proibiu a divulgação do levantamento realizado pela AtlasIntel.
O material em questão veio a público em maio, logo depois que áudios comprometedores circularam na imprensa. Nas gravações, o parlamentar aparece solicitando aportes financeiros para a produção de um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O interlocutor citado é Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master, figura que enfrenta investigações por supostas fraudes financeiras de grande escala.
Ao acolher o pedido da defesa do PL, Nunes Marques determinou que a empresa de pesquisa removesse imediatamente os dados de seus canais e suspendesse a circulação das informações. A argumentação do partido sustenta que houve um viés proposital no questionário aplicado aos entrevistados. Segundo a sigla, das 49 questões apresentadas, oito insistiam na relação entre Flávio e o Banco Master, o que, na visão da defesa, funcionaria como uma indução negativa do eleitorado.
Outro ponto que pesou na decisão do ministro foi a contestação sobre a legitimidade das provas. O PL alega que os áudios usados como base para as perguntas ainda não tiveram sua autenticidade validada pelo Poder Judiciário. Para a legenda, utilizar conteúdo ainda não periciado em um questionário é uma prática que fere a isonomia do processo eleitoral.
Nunes Marques viu plausibilidade jurídica no pleito do partido. Em seu despacho, o magistrado anotou que o caso ultrapassa uma simples divergência metodológica. Para ele, existe uma alegação consistente de que a estrutura do questionário teria sido desenhada especificamente para direcionar as respostas, servindo mais como um mecanismo de influência do que como um instrumento de medição científica.
Além de Nunes Marques, o julgamento conta com os votos de André Mendonça, Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Floriano Azevedo Marques Neto e Estela Aranha. O resultado definirá se a AtlasIntel poderá seguir com a divulgação dos dados.
A empresa, por sua vez, reagiu ao bloqueio logo após a determinação do ministro. Em nota oficial, o instituto defendeu a integridade de seu trabalho. A AtlasIntel afirmou que confia no colegiado do tribunal para atestar a robustez técnica e a legalidade do estudo, destacando que espera o esclarecimento dos fatos a partir de uma análise detalhada da metodologia aplicada.
