São Paulo (SP) – O campus da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Perdizes, na Zona Oeste da capital, concentra o maior fluxo de eleitores do Brasil neste domingo de eleição. A estrutura acadêmica, preparada para receber 17 mil pessoas distribuídas por 46 seções, transformou-se em um ponto de aglomeração logo nas primeiras horas da manhã, com relatos de tempo de espera que superaram os 60 minutos em ao menos duas divisões eleitorais.
Problemas técnicos também desafiaram o cronograma de votação. Na seção 35, a necessidade de substituir a urna eletrônica duas vezes gerou um represamento inesperado. Já na seção 440, um ponto estratégico conhecido pela acessibilidade a idosos e pessoas com dificuldade de locomoção, a fila estagnou, gerando queixas sobre a organização do fluxo prioritário.
Para o eleitor Marco La Rosa de Almeida, a cena não é novidade. Acompanhado da esposa e da filha de quatro anos, ele aguardava desde as 8h40 e, passadas quase duas horas, ainda permanecia na fila. O cidadão descreveu um cenário de reincidência, afirmando que a seção 440 historicamente enfrenta gargalos que, segundo ele, exigem uma redistribuição de eleitores. Nas eleições passadas, o tempo de espera no local chegou a três horas.
Em contrapartida, outros eleitores encararam o tempo parado como parte do dever cívico. Ismael Almeida, consultor de 70 anos, manteve a serenidade apesar do longo período de espera. Mesmo estando na faixa etária em que o voto se torna facultativo, ele reforçou a importância da participação direta no futuro do país. O sentimento de dever também ecoou em Miriam, que, ao reencontrar a filha que vota na universidade, resumiu a experiência como um gesto de soberania democrática.
O ambiente também foi cenário para estreantes. Tomás Schneider, que completou 18 anos recentemente, escolheu o período matutino na esperança de encontrar tranquilidade. Com sua “colinha” em mãos, o jovem destacou o interesse em eleger candidatos de sua geração, uma motivação que trouxe da convivência familiar com a vida pública. “Gosto de política e acho que as pessoas precisam se interessar”, afirmou, mantendo o entusiasmo apesar da espera.
A pouca distância, o comerciante Thomás Cury aguardava o seu momento de entrar na cabine. Veterano como mesário voluntário em pleitos anteriores, desta vez ele observou o processo sob a ótica do eleitor. Cury aproveitou o período de campanha para estudar projetos desconhecidos, um processo que, na sua avaliação, não é complexo para quem decide se dedicar à escolha. Com a votação garantida, ele ainda planeja retornar ao campus à tarde para auxiliar o pai na logística do pleito.
