Brasília (DF) – O estudante Noam Medeiros, de 10 anos, não demonstrou hesitação ao estender o braço na Unidade Básica de Saúde da 612 Sul, em Brasília. Neste sábado (22), o Dia D da Campanha Multivacinação transformou a rotina de postos de saúde pelo país, onde o garoto aproveitou para regularizar as doses pendentes em sua caderneta. A mãe, a bancária Ana Paula Medeiros, de 45 anos, acompanhava o filho com a convicção de quem entende o valor da prevenção, decisão tomada após a família assistir à divulgação da campanha nos meios de comunicação.
O movimento nos postos contou com uma presença de peso: o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que compareceu para reforçar a escala nacional da mobilização. O foco da edição atual é abrangente, abrangendo todas as 17 vacinas do calendário infantil obrigatório. Uma das principais novidades deste ciclo é a inclusão da vacina pneumocócica 20-valente (pneumo 20), voltada para crianças menores de 5 anos, que oferece uma barreira ampliada contra pneumonias e meningites.
Além da proteção infantil, o ministro aproveitou o cenário para emitir um alerta rigoroso sobre o sarampo. A recomendação é clara: pessoas entre 6 meses e 59 anos devem verificar sua situação vacinal, com atenção especial para profissionais que atuam em setores de fluxo intenso de pessoas, como hotéis, restaurantes, aeroportos e o segmento de transporte por aplicativos.
A preocupação tem raízes concretas. Embora o Brasil tenha recuperado o certificado de país livre do sarampo em 2024, a instabilidade global mantém o alerta ligado. O ministro citou os surtos expressivos nos Estados Unidos, que se espalharam para o Canadá e México, como um risco constante de importação de casos. No ano passado, o Brasil registrou 38 episódios importados que foram contidos apenas pela capilaridade do SUS.
A memória do surto iniciado em São Paulo em 2019, que resultou em cerca de 20 mil casos e na perda temporária da certificação internacional, serve como um lembrete do que está em jogo. O discurso antivacina, crescente em outras nações, é apontado pelo governo como o principal motor desses novos focos de doenças evitáveis.
A estratégia de prevenção, no entanto, vai além do público infantil. A aposentada Lúcia Araújo, de 91 anos, foi uma das cidadãs que compareceu ao posto de vacinação na capital federal. Com o registro vacinal em dia, ela celebrou a rapidez do atendimento, que não levou mais de dez minutos, reiterando que a disciplina com o calendário vacinal é um hábito constante para garantir a manutenção da sua saúde em todas as etapas da vida.
