Brasília (DF) – O Brasil alcançou em 2025 o patamar mais baixo de registros de malária desde 1978. Com 118.037 ocorrências notificadas em território nacional, o país observou uma redução de 15% em comparação ao ano anterior. Mais do que o volume de contágios, a queda na letalidade chama a atenção: o número de mortes caiu de 56 para 39, enquanto a incidência das formas graves da doença recuou 30,7%.
O balanço foi apresentado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta segunda-feira (17), durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), realizado em Brasília. O gestor atribuiu o cenário positivo à estratégia de diagnóstico ampliado e à introdução da tafenoquina no Sistema Único de Saúde (SUS), administrada em dose única para impedir a recorrência da infecção.
A incorporação do fármaco, iniciada em 2023 para adultos e adolescentes acima de 16 anos com pelo menos 35 quilos, provou-se eficaz na prática. Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas foram tratadas com a tecnologia. Nas áreas de assentamentos rurais e territórios indígenas da região amazônica, epicentros históricos da moléstia, a redução de casos superou a marca de 40%.
No Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, o impacto foi expressivo. A região, que serviu como ponto de partida para a aplicação da tafenoquina em comunidades originárias, registrou uma queda de 61,9% nas taxas de recaída entre março e junho de 2026. Segundo o ministro, a combinação do tratamento com ações de recuperação nutricional resultou em um declínio superior a 50% no número de casos e 70% nos óbitos na área. Desde março deste ano, a terapia também foi estendida ao público pediátrico, atendendo crianças a partir de 2 anos com mais de 10 quilos.
Reforço contra o sarampo
A agenda de saúde pública também foca no monitoramento de 38 casos importados de sarampo identificados recentemente em estados como São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Tocantins. As cepas detectadas têm origem na América do Norte, onde Estados Unidos, Canadá e México concentram mais de 75% das ocorrências no continente.
Apesar da ameaça, o Brasil mantém o certificado de país livre da doença, reconquistado em 2024. Para sustentar esse status, o governo intensificou a cobertura vacinal em cidades estratégicas como São Paulo, Guarulhos e São Bernardo. Nesses locais, a meta é imunizar qualquer pessoa entre 6 meses e 59 anos, independentemente do histórico vacinal. Na capital paulista, o esforço já alcançou mais de 70 mil doses aplicadas, evitando que o país repita a crise de 2019, quando falhas no controle levaram à perda do certificado de erradicação.
