Brasília (DF) – O aumento expressivo de diagnósticos de sarampo nas Américas colocou o sistema de saúde brasileiro em prontidão. Com os Estados Unidos enfrentando a maior incidência anual da doença em mais de três décadas — cenário onde nove em cada dez pacientes não possuem histórico de vacinação ou desconhecem sua situação imunológica —, a preocupação com o impacto local cresce. Dados compilados durante 2026 apontam que a maior parte das confirmações no continente está concentrada em solo americano, na Guatemala, no México, no Peru e no Canadá.
No Brasil, a vigilância epidemiológica contabilizou 52 casos importados até o dia 5 de outubro. A distribuição dos registros aponta para São Paulo, com 41 notificações, seguido pelo Amazonas, com 10, e um caso isolado no Rio de Janeiro. Apesar da entrada do vírus por viajantes, o território nacional mantém o status de país livre da circulação endêmica da patologia.
A estratégia atual envolve protocolos rigorosos: busca ativa por novos suspeitos, rastreamento de contatos e bloqueio vacinal imediato. Em áreas de maior incidência, como municípios paulistas e zonas de fronteira na Amazônia, a vacinação ganhou reforço em locais de grande circulação de pessoas. O governo federal mantém suporte técnico nessas regiões para evitar que o cenário avance para uma transmissão sustentada.
A trajetória recente do Brasil com o sarampo foi marcada por altos e baixos. Em 2019, o país superou a marca de 20 mil diagnósticos, perdendo a certificação internacional de eliminação do vírus. A recuperação do título só ocorreu em novembro de 2024, após mais de um ano sem transmissão contínua. Entre 2023 e 2025, o sistema registrou 85 casos, todos sem desfecho fatal.
O cenário vacinal, contudo, mostra sinais de recuperação. Relatórios indicam uma queda de 86% no contingente de crianças não imunizadas desde 2023. Em 2025, a adesão à primeira dose da tríplice viral alcançou 93,10% em âmbito nacional, com variações regionais importantes: 94,39% em São Paulo e 89,54% no Amazonas. A rede pública disponibiliza o imunizante gratuitamente para toda a população.
Para barrar novas ondas de contágio, o Programa Nacional de Imunizações reforça a necessidade de atualização das cadernetas atrasadas. Além disso, mantém-se a aplicação da chamada “dose zero” para bebês entre 6 e 11 meses, uma medida extra antes do calendário habitual de 12 e 15 meses. Apenas ao longo de 2026, mais de 4 milhões de doses foram aplicadas em esforços coordenados apenas em São Paulo e no Amazonas, focando em cidades como Guarulhos, Santo André e São Bernardo do Campo.
