O planeta Terra atingiu recentemente a marca histórica de 8,3 bilhões de habitantes. Mas se fôssemos pintar um quadro com o rosto de toda a humanidade, quais cores predominariam? Embora a contagem exata por “cor de pele” seja impossível — já que nenhum órgão internacional, como a ONU, divide a humanidade por cores —, cruzamentos de dados geográficos, demográficos e genéticos nos ajudam a entender como o mosaico humano está distribuído.
Ao contrário do que o senso comum dita, o mundo não é dividido em “caixas” rígidas de cores. O que existe é um espectro contínuo de tons que variam de acordo com a quantidade de melanina. Ainda assim, olhando para as grandes regiões do globo, cientistas e demógrafos estimam que os povos de origem asiática (com tons que vão do oliva ao bege) formam a maior parte da humanidade, representando entre 55% e 60% da população mundial.
Em seguida, os povos da África Subsariana (de pele escura) e os de matriz europeia (de pele clara) disputam as posições seguintes, cada grupo representando entre 12% e 18% do total global. Populações árabes, latinas miscigenadas e povos indígenas completam o restante do mapa humano.
O mito das raças e a biologia do Sol
Para o jornalismo e para a ciência moderna, falar sobre a cor da pele da população mundial exige, antes de tudo, desfazer um preconceito histórico: do ponto de vista biológico, raças humanas não existem.
“O conceito de raça é uma construção social e política, não genética”, explicam os antropólogos evolutivos. O DNA de qualquer ser humano no planeta é 99,9% idêntico ao de outro. A variação na cor da pele é apenas uma resposta adaptativa dos nossos ancestrais à radiação ultravioleta (UV) do Sol.
Há milhares de anos, à medida que os primeiros humanos migravam da África para outras partes do mundo, seus corpos se adaptavam ao ambiente:
- Perto do Equador: A pele escura evoluiu para proteger o organismo contra a destruição do ácido fólico causada pelos fortes raios UV.
- Longe do Equador: Em regiões com menos luz solar, como o norte da Europa e da Ásia, a pele clara evoluiu para permitir que o corpo absorvesse raios UV suficientes para sintetizar a vitamina D, essencial para os ossos.
Por que é impossível ter um número exato?
Se você tentar buscar um dado oficial e fechado sobre “quantos brancos ou negros existem no mundo”, não encontrará. O principal motivo é que cada nação mede a sua população de forma diferente.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) utiliza a autodeclaração baseada em cinco categorias: brancos, pardos, pretos, amarelos e indígenas. Já nos Estados Unidos, o censo mistura cor da pele com origem geográfica e cultural, separando grupos como “hispânicos” e “afro-americanos”.
Por outro lado, a maioria dos países da Europa proíbe por lei que o governo pergunte a etnia ou a cor da pele dos cidadãos em censos oficiais. Essa medida foi adotada após a Segunda Guerra Mundial para evitar que esse tipo de dado fosse usado para perseguições e discriminação estatal.
O futuro é jovem e tem cor
O mapa de cores da humanidade não é estático. Ele está mudando rapidamente devido às taxas de natalidade. Enquanto a Europa e a Ásia Oriental enfrentam um rápido envelhecimento e diminuição da população, a África Subsariana vive uma explosão demográfica.
A idade média no continente africano é de apenas 18 anos, e as projeções da ONU indicam que, até 2050, uma em cada quatro pessoas no mundo será africana. Isso significa que, nas próximas décadas, a proporção de pessoas com tons de pele mais escuros aumentará significativamente, mudando a cara — e as cores — do nosso planeta.
