A Colômbia vive o momento mais crítico de sua situação humanitária nos últimos dez anos, impulsionado por uma escalada persistente da violência e pelo descumprimento sistemático das normas do Direito Internacional Humanitário. O alerta foi emitido pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que aponta uma deterioração progressiva das garantias fundamentais no país desde 2018.
Impacto dos artefatos explosivos
Ao longo de 2025, 965 pessoas foram mortas ou feridas por dispositivos explosivos, um salto de um terço na comparação com o ano anterior. O cenário é agravado pelo uso de tecnologia adaptada, como drones comerciais modificados para o lançamento de artefatos, que atingem tanto zonas rurais quanto centros urbanos. A região de Cauca, situada no litoral sudoeste, concentrou quase metade de todas essas ocorrências registradas no período.
Desaparecimentos e violações de direitos
Os registros de desaparecimentos ultrapassaram a marca de 300 casos no último ano. Um aspecto preocupante desse levantamento revela que um quinto dessas vítimas são menores de idade, frequentemente envolvidos em processos de recrutamento forçado por grupos armados. Somado a isso, o relatório contabilizou 845 denúncias de supostas violações ao direito internacional, evidenciando a fragilidade da proteção aos cidadãos.
Deslocamento forçado e contexto regional
A crise de mobilidade humana também atingiu números alarmantes, com o deslocamento individual de pessoas dobrando e alcançando um total de 235 mil cidadãos. A região de Norte de Santander, na fronteira com a Venezuela, foi o epicentro dessa instabilidade, concentrando dois terços dos episódios de deslocamento em massa. O impacto é relevante para todo o continente, considerando que a Colômbia possui uma população de 53 milhões de habitantes e ocupa a posição de terceiro país mais populoso da América Latina, atrás apenas de Brasil e México.
