A 14ª edição do Festival Literário Internacional de Araxá, o Fliaraxá, teve início nesta quinta-feira, 14 de maio, na cidade mineira de Araxá. O evento deste ano é dedicado a honrar o centenário do geógrafo Milton Santos, um dos maiores intelectuais brasileiros, falecido em 2001. Sob o tema Meu lugar no mundo, a programação utiliza o pensamento do homenageado para promover debates sobre identidade, pertencimento e as diversas formas de interpretar a realidade.
A visão de Milton Santos
O conceito central do festival baseia-se na premissa do geógrafo de que ninguém observa o universo a partir de um ponto neutro, mas sim de um local específico. Nina Santos, neta do estudioso, ressalta que a obra de seu avô convida o público a imaginar processos de globalização mais humanos e inclusivos. Para ela, a literatura atua como uma ferramenta poderosa nessa construção, permitindo que cidadãos interpretem e reconfigurem o mundo ao seu redor a partir de diferentes perspectivas geográficas e culturais.
Presença internacional
Um dos destaques do evento é o escritor angolano José Eduardo Agualusa, que aproveita o festival para lançar a obra Tudo sobre Deus. O autor descreve o livro como seu trabalho mais poético, nascido durante um período de recuperação de saúde. A trama acompanha a jornada de um geólogo e poeta que busca isolamento em uma capela no deserto da Namíbia para refletir sobre a existência e a finitude, mesclando narrativa e poesia.
Diálogo com o leitor
Agualusa destaca a importância dos festivais literários para a troca de experiências com o público, afirmando que o contato com os leitores é essencial para que a obra ganhe novos significados. O escritor, que atualmente relê Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, reforça que a grande literatura possui um caráter universal, capaz de conectar pessoas de culturas distintas ao colocar o leitor na pele do outro, independentemente do cenário geográfico onde a história se desenrola.
Programação e engajamento
O Fliaraxá segue com atividades até o domingo, 17 de maio, reunindo nomes como Bianca Santana, Djonga, Geni Núñez e Marcelino Freire. A curadoria, composta por Afonso Borges, Sérgio Abranches, Rafael Nolli e Carlos Vinícius, também estruturou ações educativas voltadas para estudantes. Entre elas, destacam-se concursos de redação e desenho, além de uma exposição fotográfica com registros capturados por alunos da rede de ensino, todos explorando a temática do evento.
