Presidente Venceslau (SP) – A estrutura de um suposto esquema de lavagem de capitais vinculada à facção criminosa PCC alcançou um novo desdobramento jurídico. A 3ª Vara de Presidente Venceslau, no interior paulista, acolheu a denúncia oferecida pelo Ministério Público, colocando a influenciadora Deolane Bezerra e Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, no banco dos réus. Ambos respondem agora por crimes de organização criminosa e lavagem de ativos.
A lista de denunciados, que tramita sob sigilo rigoroso, inclui ainda Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior. O cerne da acusação gira em torno da utilização de uma empresa de transporte — descrita pelos investigadores como um negócio de fachada — para processar valores provenientes de atividades ilícitas, como o tráfico de drogas.
O rastro financeiro que levou à denúncia foi mapeado por meio de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e da análise de dados bancários e fiscais. Segundo o processo, os acusados realizavam depósitos fracionados e outras manobras contábeis para dissimular a procedência dos recursos, que posteriormente eram convertidos em patrimônio de alto valor. A Justiça considerou que o volume de provas, que engloba também dados extraídos de aparelhos celulares, é robusto o suficiente para fundamentar a ação penal. Como medida cautelar, houve o bloqueio judicial dos bens de um dos integrantes, identificado como operador central das movimentações suspeitas.
Atualmente, a situação carcerária dos réus é distinta. Enquanto Deolane Bezerra encontra-se detida em Tupi Paulista, no interior de São Paulo, Marcola e Alejandro permanecem custodiados em unidades de segurança máxima em Brasília.
A estratégia das defesas busca fragilizar a tese da acusação através de argumentos distintos. Os advogados que representam Marcola, Paloma, Leonardo e Alejandro sustentam que a acusação carece de lógica temporal e prática. Alegam que a reclusão de Marcola e Alejandro em regime de segurança máxima, ininterrupta desde 2019, impossibilitaria qualquer gestão direta no esquema de lavagem descrito. No que tange aos outros membros da família Herbas Camacho, a defesa rechaça a existência de participação criminosa, argumentando que o mero parentesco não é prova de associação ao delito.
Por sua vez, a defesa de Deolane Bezerra mantém uma linha de negação absoluta sobre qualquer vínculo com facções. Os representantes da influenciadora enfatizam que toda a sua receita possui lastro lícito e foi declarada corretamente aos órgãos competentes. A expectativa dos advogados é de que, durante o desenrolar da instrução processual, surjam evidências capazes de confrontar os dados apresentados pelo Ministério Público, reafirmando a inocência da cliente diante das acusações formuladas pela Justiça paulista.
