Brasília (DF) – Na residência onde cumpre prisão domiciliar, o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu investigadores da Polícia Civil do Distrito Federal nesta terça-feira, 23. O objetivo do depoimento foi esclarecer as circunstâncias que levaram uma pistola Glock 9 mm a ser apreendida em uma blitz de trânsito ocorrida em Taguatinga, no último dia 15 de junho.
O episódio ganhou tração nas esferas jurídica e política desde que o veículo de transporte do militar, que atua na segurança de Bolsonaro, foi parado pelas autoridades locais. Na ocasião, além da arma, foi recolhido um carregador sobressalente. O condutor do automóvel prestou esclarecimentos logo após a abordagem, sustentando que estava com o armamento porque buscava conserto para uma falha mecânica.
O advogado Paulo Bueno, responsável pela defesa, acompanhou a oitiva e manteve a estratégia de desqualificar o caso. Para ele, o evento não possui qualquer relevância penal. Em manifestação pública logo após o depoimento, o defensor reforçou que Bolsonaro apenas solicitou auxílio para reparar o objeto, que, segundo a defesa, é de propriedade do ex-presidente e possui registro regular. A tese é a de que, como não houve ordem de cancelamento para o registro da pistola, o equipamento deveria estar guardado no endereço do proprietário.
O cenário jurídico de Bolsonaro, contudo, é complexo. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por seu envolvimento na trama golpista, mantendo-se em regime de prisão domiciliar temporária desde o dia 27 de março deste ano. A coincidência entre a apreensão da arma e o prazo final de sua condição especial de detenção despertou o interesse do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Moraes questionou formalmente a defesa sobre os motivos que levaram o condenado a solicitar reparo no armamento justamente às vésperas do encerramento do prazo de 90 dias de sua prisão domiciliar humanitária. A expectativa agora recai sobre a decisão do magistrado, prevista para esta quinta-feira, 25, que deverá definir se a medida cautelar de recolhimento domiciliar será mantida ou alterada.
A defesa alega que todas as dúvidas levantadas por Moraes já haviam sido sanadas por escrito na semana anterior. O tom dos advogados é de confiança: Bueno declarou que o objetivo atual é buscar o arquivamento definitivo do inquérito que tramita na Polícia Civil do Distrito Federal, tratando todo o imbróglio como um erro de interpretação sobre um objeto de posse legal.
