Brasília (DF) – O bolso de 3,5 mil aposentados e pensionistas do Governo do Distrito Federal foi alvo de uma estratégia criminosa detalhada. A Polícia Civil do DF deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Parasitas, ação voltada a desmantelar um esquema de descontos associativos realizados sem qualquer respaldo ou consentimento dos beneficiários. O rombo inicial calculado pelos investigadores já ultrapassa a marca de R$ 5 milhões.
A força-tarefa cumpriu dez mandados de busca e apreensão em endereços ligados a associações, tanto no Distrito Federal quanto em Minas Gerais. No total, sete pessoas acabaram detidas — quatro por meio de prisões temporárias e três através de ordens preventivas.
O modus operandi revela uma audácia específica: as associações entravam em contato telefônico com as vítimas oferecendo serviços. Mesmo diante da recusa dos segurados, o acordo era dado como selado. Na hora de comprovar a adesão junto às instituições financeiras, os golpistas substituíam o áudio real do contratante — que nunca existiu — por transcrições forjadas. Uma montagem burocrática para dar aparência de legalidade a um roubo sistemático.
O delegado Henry Galdino, responsável pelas diligências, traça um paralelo direto com as fraudes de abrangência nacional que motivaram uma CPI no Congresso no ano passado. O que se viu no Distrito Federal foi, na prática, uma versão regionalizada daquela mesma mecânica delituosa.
As investigações também alcançaram servidores do Banco de Brasília (BRB). Agentes cumpriram mandados em residências desses profissionais, situadas em diversas regiões como o Plano Piloto, Recanto das Emas, Brazlândia e Jardim Botânico. Contudo, o delegado pondera a situação: embora tenham sido levados para prestar esclarecimentos, esses servidores não possuem mandados de prisão expedidos nem indiciamento formal até o momento. A instituição bancária tem colaborado com os investigadores para mapear o fluxo do dinheiro.
Cada débito automático efetuado contra os beneficiários girava, em média, em torno de R$ 40. O impacto, porém, é profundo para quem depende de verbas fixas mensais. Diante da repercussão do caso, a governadora Celina Leão determinou a abertura imediata de uma auditoria completa na folha de pagamentos do governo local. O objetivo é varrer novas irregularidades e garantir o ressarcimento integral dos valores subtraídos dos cofres individuais dos aposentados.
Um procedimento administrativo interno foi instaurado para complementar a apuração criminal, buscando entender como as associações conseguiram penetrar nos sistemas de consignação. Enquanto as perícias seguem, a pergunta que paira sobre as corregedorias é: quão profundo o esquema conseguiu cavar antes de ser interrompido?
